quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Dia do animal... a realidade de Beja!

Hoje "comemoraram" mais um dia do animal, digo comemoraram porque eu não o vou fazer enquanto a realidade deste dia for a que todos sabemos que é.
A realidade dos animais de estimação em Beja é a seguinte, ninguém se sente responsável pelo seu animal, essa responsabilidade é substituída por um sentimento de impunidade, porque é mais fácil abandonar que educar o cão, é mais fácil abandonar que levar o cão ao veterinário. Há cerca de ano e meio fiz um levantamento dos cães licenciados nas Juntas de Freguesia do Concelho de Beja e o resultado foi que estavam licenciados cerca de 200 cães e desses 190 eram com licença de cães de caça, havendo apenas 10 cães de companhia licenciados no Concelho de Beja, das freguesias apuradas. Quase ninguém tem hoje em dia, ainda, cães com micro-chip e oficialmente assumidos perante a sociedade, é um número realmente anedótico. Deverão existir milhares de cães neste Concelho, se considerarmos um estudo que indica que 40% da população portuguesa tem um cão, deveriam existir cerca de 14000 cães, por isso existem cerca de 13990 cães fantasmas neste Concelho que não têm qualquer forma de ser associados ao seu dono em caso de se perderem, serem abandonados, fugirem de casa, em caso de roubo, atropelamento, em caso de morderem em alguém, etc.
A boa vontade dos sucessivos responsáveis da Associação Cantinho dos Animais de Beja, não é suficiente para debelar este problema, é como tentar tirar água com um balde de dentro do Titanic depois de embater no icebergue, não conseguem fazê-lo, nem estão na posição de ter de o fazer, não são estas pessoas as únicas responsáveis por resolver eficazmente este problema.
A realidade é que estas pessoas gerem um encargo anual na ordem dos 18000 euros, salvam quase 200 cães por ano e recebem como apoio camarário a água, luz e espaço do canil. Uma associação com 900 sócios, dos quais 600 têm as suas quotas em dia, na minha opinião é uma associação a considerar em todas e quaisquer distribuições de verbas para movimentos associativos, pela sua dimensão e pelo benefício que traz pelo seu trabalho.
É aqui que me dirijo ao Sr. Presidente da Câmara e vereador, já referi várias vezes que a abertura deste executivo é largamente superior a qualquer outro nos últimos 10 anos, e que o interesse demonstrado é muito positivo, mas necessitamos de entrar no âmbito das acções reais de uma vez por todas. As autoridades locais têm de começar a responsabilizar os donos dos 13990 cães fantasmas, e não necessita de gastar nenhum dinheiro, pelo contrário, a falta de verbas que sabemos serem escassas neste momento não serão impedimento, o impedimento só pode ser a importância dada ao problema.
Proponho que de uma vez por todas se sentem na mesa de reuniões as três partes responsáveis na solução do problema do abandono que são as autoridades policiais, a associação e o executivo autárquico. Não se acaba com o problema sem uma fiscalização e responsabilização real e efectiva da GNR e PSP, sem uma mensagem clara do executivo através de acções pela responsabilização de donos irresponsáveis e sem a transmissão de conhecimentos para relações donos/cão saudável e à prova de abandono por parte da associação.
Neste dia do Animal mais do que dizer frases feitas, mais dos que realizar angariações de fundos, mais do que criar eventos oportunistas precisamos que todos os intervenientes e responsáveis pelo problema tomem acções efectivas.
Claro que escrevo tudo isto porque sou defensor dos direitos dos animais, mas a solução deste problema tem repercussões a vários níveis, não serão apenas os cães os beneficiados, serão também as autoridades, que ficarão com uma imagem de maior ética e cumprimento do dever, será a Câmara Municipal que poupará o dinheiro gasto anualmente com o abandono, será a associação que poderá ter condições de lidar com um problema com menor dimensão e será finalmente a sociedade que terá um sentido de cidadania e espírito comunitário mais presente e efectivo.
Os países civilizados não têm abandono de animais a esta escala, porque simplesmente as regras sociais estão presentes na forma de viver de todos e quando alguém julga poder ignorá-las os responsáveis fazem questão de lhes exigir um comportamento social adequado, por mais pequena que seja a regra, ser um dono de cão responsável é ser um cidadão responsável por isso hoje, apelo ao Sr. Presidente da Câmara, dono de dois cães adoptados na Associação Cantinho dos Animais de Beja, que transmita essa ideia tão importante aos cidadãos do seu concelho, pode começar já hoje nesta data simbólica.
Para os voluntários do Cantinho dos Animais um bom Dia do Animal e nunca percam a esperança que tudo valha a pena, mesmo não fazendo voluntariado neste momento faço figas para que vos corra tudo da melhor forma.

4 comentários:

Claudia Estanislau disse...

assim se fala!

Ana Paula disse...

Estou plenamente de acordo. As poucas leis que existem não se fazem cumprir. As pessoas praticam actos de crueldade para com os animais e ao apresentarmos queixa nada lhes acontece como é o caso do meu Fidel que acabou por ficar comigo.Bem hajam pelo vosso trabalho. Como católica e referindo o dia dos animais, que S. Francisco vos proteja e alente.

Guita disse...

Não é que não concorde com o que diz acerca do micro chip e do registo dos cães na respectiva freguesia mas o incentivo para tal é 0, e muitas vezes para quê?

Eu tenho 3 cães com micro chip e registados na junta de freguesia. Este registo custa 12€/ano, por cada animal. Mais consultas de veterinário, + micro chip, + vacinas, + coleiras, etc... faz-me pensar em gastar esse dinheiro para quê? Os meus cães não são de caça, não saem da minha propriedade... porque hei-de dar anualmente 12€ por cada cão à junta de freguesia? Se algum dos meus caes morder alguém, a junta será responsável solidariamente comigo? Não! A responsabilidade civil e/ou criminal que daí advenha será toda minha portanto não vejo o porquê de ter que registar os meus cães de companhia quando já gastei 45€ em cada um para colocar o micro chip!
É apenas uma opinião.

José Dores disse...

Percebo o seu ponto de visto Guita, mas tem de o fazer em primeiro lugar por é a lei, em segundo porque é a única forma das autoridades terem a certeza que o cão tem micro-chip e responsabilizar o dono em caso de ser necessário, porque nem todos colocam o chip voluntariamente como a Guita. Mas imagine que um dos seus três cães é roubado da sua propriedade, você como não é obrigada a colocar o chip não o fez, coisa que acontece com mais frequência do que se imagina e quer encontrá-lo, ele afinal é um membro da sua familia e quere-o de volta, como o vai achar se todos esses mecanismos não funcionam hoje em dia? Aliás até o poderá reencontrar hoje em dia mas as probabilidades seriam infinitamente maiores se todo este conjunto de leis fosse uma realidade.
Em Portugal há esta atitude de questionar as leis a toda a hora que eu não concordo, não se trata de si e de facto os maiores responsáveis por isso são os politicos que não fazem as leis acompanharem a evolução normal da sociedade, mas mesmo que não se concorde com a lei, cumpre-se e contesta-se a seguir