quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A comida de plástico não é mais barata e os aversivos no treino de cães não são mais rápidos.

Escrito por Nicole Wilde.
"Está um artigo no New York Times, na secção Week in Review que compara o preço da fast food com a comida preparada em casa.

Alguns argumentavam que fazer com que as pessoas parem de comer fast food era o valor. Ser menos dispendiosa leva a que faça sentido que as pessoas a escolham, o problema é que não é menos dispendiosa. Não é menos dispendiosa em euros gastos para a comprar nem a longo prazo, nos efeitos cumulativos do elevado teor de gorduras, sódio, baixo teor de fibras. As vantagens para nós é o tempo e a energia gasta a prepará-la, muitos insistem que é essa falta de tempo, devido à sociedade moderna, que promove as idas aos drive-in, pelo menos até olharmos para as horas gastas em frente da Tv., no facebook, blogues, etc.



É citado no artigo o Dr. David Kessler antigo comissário da FDA e autor de “The End of Overeating.” O livro do Dr. Kessler’ é obrigatório para quem tem problemas alimentares e um importante livro para treinadores de cães também. A primeira parte do livro descreve detalhadamente os estudos feitos em animais para determinar como o reforço influencia o comportamento. Foram os estudos que ajudaram os treinadores a compreender que a qualidade do reforço tem impacto na repetição consistente ou não de um comportamento. Ou se o comportamento é mantido. O reforço usado nestes estudos foi a comida.

Dê uma espreitadela num grupo ou fórum de treino de cães e irá presenciar a batalha infindável a ser travada... se é inteligente, eficaz, ético ou mais rápido usar o castigo para conseguir comportamentos dos nossos cães. O castigo por definição reduz a probabilidade de um comportamento se repetir, mas para muitos treinadores e donos de cães o castigo é usado para tentar aumentar um comportamento, sendo esse comportamento outro que não aquele que castigaram. É uma abordagem ao contrário, que resulta vezes suficientes para que as pessoas a continuem a usar. Dá-se uma joelhada no peito do Max quando ele salta para cima de si e é provável que ele pare de lhe saltar para cima e faça outra coisa qualquer. Se ele tiver a sorte do outro comportamento ser do seu agrado, senão o Max será sujeito amais uma forma de castigo até que, se ele estiver disposto a continuar a tentar oferecer comportamentos, finalmente acerta num comportamento que passe a sua aprovação.

Isto pode não ser nada de especial para alguns cães mas para outros pode ser. Existem custos a considerar quando se usa castigos (aversivos). Existem os custos iniciais, os custos na relação dono/cão, os custos no sentido de segurança do cão e os custos na vontade do cão em entrar nesta dança que chamamos treino. Existem também os custos a longo prazo, quando se suprime um comportamento poderemos encontrar outros comportamentos igualmente desadequados a substitui-lo.

No artigo o autor coloca a questão "Como é que nós podemos mudar uma cultura?" A resposta do Dr. Kessler’ foi esta:

“Assim que olho para o que estou a comer apercebo-me que não é comida, e pergunto "o que é que eu estou aqui a fazer?" isso é o começo. Não se trata de achar se é bom para mim, é acerca de mudar o que sinto. E podemos mudar o que as pessoas sentem mudando o ambiente.”

Esta mudança leva a uma vida mais saudável e a hábitos alimentares mais baratos. Eu vou pegar nesta afirmação dele e vou desenvolvê-la no seguinte:

“Assim que olho para o que estou a fazer apercebo-me que não é treino, e pergunto "O que estou a fazer?" isso é o começo. Não se trata se achar se é bom para o cão, é acerca de mudar a maneira como ele se sente. E podemos mudar a maneira como os cães sentem mudando o ambiente.”

Mudamos o ambiente removendo o risco de ser forçado, intimidado, assustado, magoado, etc. Asseguramo-nos que ele sente sempre seguro e que optar pela escolha certa é mais fácil que optar pela errada. Poderá nem sempre parecer fácil, mas a longo prazo é a coisa mais saudável a fazer. Cães medrosos vivem com maiores níveis de stress, não existem razões para exponenciar isso."

Bons treinos!

2 comentários:

Claudia Estanislau disse...

será escusado dizer que gostei, e aproveitei e partilhei :D um abraço

José Dores disse...

Obrigado, pois eu percebi que gostaste...ia por no face mas já não fui a tempo no dia seguinte...lol