domingo, 22 de Novembro de 2009

Mudar de vez o comportamento do seu cão!

O seu cão anda a pô-lo doido? Leva com saltos, tudo roido, latidos, puxar na trela, etc, etc? Tudo ao mesmo tempo? Ou isso é apenas a ponta do iceberg?
Aqui estão 6 coisas certas que pode fazer para mudar o comportamento do seu cão agora:

Estabeleça regras consistentes - antes de começar seja o que for certifique-se que todos na familia estão na mesma página no que toca ao treino do cão. Nada no treino vai resultar a não ser que a familia inteira siga e aplique as mesmas regras. Organizem-se!! (É para mim a regra mais importante na educação de um cão!!)

Recompense as coisas boas - sim, a essência do reforço positivo é reforçar os comportamentos que nós queremos que o cão ofereça com maior frequência. Mas estará afazer isso quando não está a "treinar"? Comece a recompensar o seu cão todo o dia, a educação de um cão dura 24 horas por dia, 365 dias por ano, e assim os comportamentos começarão a surgir mais vezes.

Ignore as coisas más - se não é perigoso qual é o risco de ignorar o mau? Tente ignorar o comportamento indesejado e poderá extinguir-se naturalmente. Se não estiver preparado para assumir realmente esta posição o comportamento poderá não se extinguir.

Intervalo - Se já não conseguen mais, firmemente e calmamente dê ao seu cão um intervalo. Escolha um sitio que pode ser a crate, ao contrário do que muita gente acha, e coloque o seu cão ai para um intervalo. Intervalos não são assustadores, negativos ou longos no tempo, o objectivo é o isolamento social, apenas por 30 segundos ou no máximo por 2 minutos. Torne clara para o cão a ligação entre o comportamento indesejado e o intervalo, com uma palavra por exemplo que pode ser "não" ou outra... não é para ser dita de forma autoritária ou alta. E aproveite para se acalmar a si própria/o.

Exercicio - está a ver muitos comportamentos de euforia ou falta de controlo sobre a excitação? Então provavelmente o seu cão não está a ter exercicio suficiente. Os cães, especialmente entre os 6 meses e os 2 anos, necessitam de muito exercicio. Jogue com o seu cão, brinque com a busca do objecto, encontre um sitio onde o seu cão possa correr livremente de forma segura (Canidromo), alimentar o cão de objectos como o Kong, bola dispensadoras de comida, etc, e terá um cão cansado e sossegado e um dono feliz.

Treino - este blog é de um treinador... já se estava mesmo a ver que isto ia surgir certo!? Mas o treino está nesta lista por uma razão. O treino é muito mais que ensinar ao cão comandos e novos comportamentos, um bom treino de cães ajuda a estabelecer uma comunicação eficaz entre o dono e o cão. Você irá aprender a "ler" os comportamentos do seu cão com mais eficácia e comunicar com ele também de forma mais eficaz.

Estes pontos não são fáceis de realizar mas são de fácil compreensão, por isso faça uma tentativa séria e verá as diferenças... a evolução do seu cão e a vossa relação a mudar para melhor.

Bons treinos!

Escrito por Eric Goebelbecker, adaptado.

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Porque é que os cães ladram?


Os latidos constantes, ou ladrar em determinadas circunstâncias é um assunto importante para qualquer dono de cão preocupado e responsável. É o tipo de problema que poderá levar a um abandono.
Porque é que os cães ladram? De um ponto de vista evolutivo é uma boa pergunta... Os lobos são capazes de ladrar mas raramente o fazem.
Poderemos considerar quatro tipos de situações onde os cães poderão ladrar.

Os cães têm capacidades vocais muito reduzidas, por isso o contexto é muito importante para avaliar o motivo da vocalização. O que considero mais importante em termos do ladrar em si é o tom e a duração. De forma geral tons mais baixos são mais ameaçadores e mais altos menos. Tal como sons mais longos têm tendência a serem mais urgentes ou mais ameaçadores.


1- Alerta ou "Hey! Está a acontecer ali alguma coisa!" Este tipo de vocalização tem tendência a ser de um tom medianamente alto, e com sons curtos e repetitivos.

2- Alarme ou "Não te quero fazer mal!"Este é um tipo de ladrar com um tom baixo e tem tendência a começar com um rosnar. A porção depois do rosnar é caracterizada por sons longos em duração. Indica que o cão identificou algo ameaçador ou assustador.


3- Stress ou "O que é que eu faço agora??" Parecido com um choro de um bebé, e denota um elevado nivel de stress por parte do cão. Normalmente acontece em situações de emergência para o cão.

4- Brincadeira ou "Bora lá a isso!" É um ladrar com tom alto e muito curto.


Escrito por: Eric Goebelbecker


Os latidos repetitivos que poderão durar horas em cães que passam muito tempo sozinhos ou em espaços pequenos tem uma causa patológica, relacionada com comportamentos compulsivos por falta de estimulo mental, um cão estimulado mentalmente normalmente mantem-se calmo e em silêncio. O cão por falta de estimulo encontra nestes comportamentos uma forma de se auto-reforçar e ocupar o seu tempo... não ladra com um motivo o ladrar é o motivo em si próprio.


Bons treinos!

sábado, 7 de Novembro de 2009

Dentadas em crianças... afinal o que se passa?!

Acontecem aproximadamente 1 milhão de dentadas de cães em cada ano nos Estados Unidos da América (EUA). Entre 60 a 70% destes são em crianças.
Porque é que a maioria das dentadas são a crianças? Em 2007 foram feitos três pesquisas cientificas para enquadrar esse problema. Examinaram os registos de três anos de dentadas de cães envolvendo crianças da Behavior Clinic of the Matthew J Ryan Veterinary Hospital of the University of Pennsylvania. Observaram 111 casos de desntadas. ( No total foram observados 145 casos, no entanto não foi possivel determinar a idade das crianças envolvidas em 34, logo não foram incluidos na pesquisa.) Foram incluidos na pesquisa 103 cães diferentes, sendo que alguns estiveram envolvidos em mais de um caso.

Os números que nos chamam à atenção são:

- 44% das dentadas a crianças com menos de 6 anos estiveram associadas à guarda do recurso valioso;
- 23% das crianças acima dos 6 anos foram mordidas em associação à guarda do território;
- Guarda da comida foi a causa de dentada em crianças da familia em 42% dos casos;
- Em 53% das dentadas a crianças estranhas a guarda do território esteve na origem.
São valores bastante significativos e reveladores. Quase metade dos casos de dentadas tiveram na origem a guarda de um recurso. Na realidade no resumo do estudo afirma-se que dos 103 cães, 61% revelaram problemas de guarda do recurso valioso e 59% agressividade aquando da implementação de medidas dispciplinares por parte dos donos (o estimulo do castigo positivo levava à agressividade).

Infelizmente não existem detalhes a respeito das medidas disciplinares, para entender a verdadeira ligação entre as dentadas e a educação.
Sem estar a ser muito extenso, o que é que sabemos? Cães e crianças com menos de 6 anos não podem ser deixados sozinhos sem supervisão. Se pensarmos no número de coisas que podem ser guardadas como recursos valiosos pelo cão... são infinitas, então tem de haver muito cuidado.
O que é a guarda do recurso? É um comportamento que é insignificante ou pouco aceite nos humanos, mas que nos cães é bastante vulgar e normal. O comportamento, como o nome indica, caracteriza-se por tentar manter algo valioso para ele. Se se pensar em termos evolutivos esta tendência é muito útil. Apenas recentemente, com a domesticação do lobo, e o aparecimento dos cães, tendo estes a comida sempre disponivel, é que se tornou um comportamento indesejado e nada útil para o animal, é aliás pouco favorável para ele.
Dependendo do cão e do valor do objecto a ser guardado assim é o comportamento demonstrado, pode ir desde ficar tenso, colocar a pata em cima do objecto, rosnar, até morder. A maioria dos cães avisam ou demonstram não estar confortáveis com a partilha de alguns objectos muito antes de rosnar ou morder (por vezes anos antes), no entanto alguém sem conhecimentos não percebe estes sinais, muito menos crianças.
Então e a questão das medidas disciplinares?? Lembre-se antes de mais que as crianças imitam os adultos, é a forma primordial de aprendizagem humana. Se as suas crianças o vêem a "disciplinar" poderão decidir fazer o mesmo, e isso poderá correr muito mal.
Até porque disciplinar não é eficaz em termos de educação relacionada com a guarda de objectos valiosos, leva frequentemente para uma escalada de agressividade por parte do cão.
Para além disto afirma-se na pesquisa também que 77% dos cães demonstravam algum grau de ansiedade, como através de comportamentos de procura de atenção, ansiedade por separação, perante barulhos e trovoadas e ansiedade generalizada. No entanto os donos não consideravam isto uma razão para procurar ajuda profissional, o que demonstra o fraco sentimento de responsabilidade e ligação com o cão.
O que para mais nos desperta este estudo é para a previsibilidade de 600.000 dentadas por ano nos EUA, e claro que no resto do mundo. A supervisão de um adulto pode não ser a solução mas poderá prevenir muitas situações de agressividade por guarda do recurso.

Dê ao seu cão uma educação positiva, preocupe-se com um crescimento saudável com as crianças, e procure ajuda profissional assim que detectar alguma alteração comportamental... não se convença que está tudo bem quando não está.

Bons treinos!

sábado, 31 de Outubro de 2009

"Tudo o que sempre quis saber acerca de educação e treino do seu cão."



PROGRAMA DO SEMINÁRIO

DIA 21 – SÁBADO – TEORIA
Início às 10.00
Intervalo para almoço das 13.00 às 14.30
Segunda parte das 14.30 às 18.30

Educar e Treinar o que é?
o Educação vs treino

Como educar o meu cão?
o Ensinar não castigar
o Como evitar desenvolvimento de problemas? – Socialização, Inibição de mordida, estimulação mental e física
o Como “pensam” os cães?

Como treinar o meu cão?
o Clicker o que é, como funciona?
o Importância dos reforços, timming e reforço intermitente
o Tipos de coleiras (estranguladoras, haltis, peitorais, etc.)
o Consequências e dificuldades no uso de métodos aversivos

Comportamentos caninos – dicas e soluções
o Cão salta para cima de todos
o Cão que ladra muito
o Cão que cava no quintal
o Cão que puxa na trela
o Cão que destrói em casa
o Cão que urina fora do local apropriado

Problemas comportamentais caninos
o O que são problemas comportamentais caninos?
o Ansiedade por separação
o Comportamentos Compulsivos Obsessivos Caninos
o Agressividade (pessoas, outros cães, crianças, possessiva, etc.)

DIA 22 – DOMINGO – PRÁTICA
Início às 10.00
Intervalo para almoço das 13.00 às 14.30
Segunda parte das 14.30 às 17.30

Ensino de comportamentos básicos
o Senta
o Deita

Chamamentos
o Ensinar o cão a vir à chamada

Andar na trela
o Ensinar o cão a andar na trela sem puxar

Recusa de comida
o Ensinar o cão a recusar comida

Como ensinar o Fica
o Duração
o Distracção
o Distância

Truques
o Dar a pata
o Rebolar
o Andar por entre as pernas (Weave)
o Andar para trás
o Spins (dar voltas de 180º)
o Capturar comportamentos típicos de cada cão (um truque diferente para cada cão individual)

Interacção e brincadeira com o seu cão
o Como ensinar o retrieve
o Como jogar o tug-of-war

Tempo aberto a questões e problemas específicos

CONCERTEZA A NÃO PERDER!!!

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Dia do animal..

Comemorou-se mais um dia do animal, o 11º dia do animal da associação cantinho dos animais de beja.

Desta vez foi celebrado com um passeio dos nossos animais até ao parque da cidade, em parceria com os escoteiros (AEP Grupo 234), dessa forma os nossos cães tiveram um dia diferente podendo correr até não poder mais no canidromo, e recebendo recompensas que davam para treinar 100 cães durante um mês... hihihi.


Nestes onze anos não fazemos um balanço positivo, não nos parece que tenha havido grande progressão no que toca aos abandonos e desrespeitos pelos direitos dos animais. Apenas aparecem noticias (este ano curtissimas) neste dia, uma vez por ano, embora se tenha notado que as pessoas interessadas pelo assunto sejam imensas aquando da realização do Aqui e Agora na SIC, com o tema dos direitos dos animais.


Considero a maioria das leis criadas no nosso pais produtivas e bem conseguidas, à excepção da lei das raças potencialmente perigosas, no entanto a fiscalização e operacionalização destas leis é praticamente inexistente, algo que me entristece e que me causa alguma revolta.

Como é que as autoridades competentes e responsáveis por aplicar determinadas leis usam o seu critério pessoal para decidir se devem ou não aplicar uma lei... para que é que havemos de incomodar alguém por tratar mal o seu cão?? (Porque somos uma sociedade civilizada no séc. XXI)


Para comemorar o dia do animal deixo-vos a história triste desta semana no cantinho dos animais de beja (porque enquanto acontecer isto não consigo comemorar):


Às 19h de quinta-feira recebi um telefonema do veterinário habitual da associação porque alguém tinha levado até lá um cão que encontrou na berma da estrada sem movimentar as patas traseiras, a pessoa (a quem agradeço pela sensibilidade demonstrada, porque acredito que tenham passado muitos sem parar) sentiu-se na obrigação de levar o cão até ao veterinário de modo a ser tratado mas obviamente necessitava que alguém se responsabilizasse pelos cuidados do animal, e nós somos esse alguém.


E aqui começam as injustiças, o "Bobby" tinha uma vertebra fracturada e deslocada, que se encontrava a pressionar a medula, impedindo os movimentos dos membros posteriores e fazendo com que qualquer operação a ser feita no animal tivesse que ser urgente. No entanto a operação teria que ser efectuada em Lisboa, e o valor seria acima das possibilidades da associação. À entrada foi verificada a existência de microchip no animal, podendo dessa forma saber quem seria o seu dono, no entanto quando tentamos saber não foi encontrado o registo nas duas bases de dados existentes, nem em nenhum veterinário da cidade... coisa que se repete vezes demais!


Esta situação pedia uma decisão, essa decisão teria de ser tomada por mim, e mais uma vez tive de dizer no veterinário, "vamos eutanasiar", pela enésima vez aquele que tenta ajudar fica com o peso de ter de fazer o contrário, e quase sempre é assim.


Mais uma vez um dono irresponsável deixou o seu cãozinho andar livremente, ou abandonou-o, e ele foi vitima de um ferimento doloroso, morrendo nas mãos e à consciência de quem trabalha diariamente para o retirar das mãos dessa gente irresponsável, o mundo é injusto, a revolta é maior a cada dia, mas virar as costas a isto é pior ainda...


Um dia vou comemorar o dia do animal... disso podem ter a certeza!!



(Na foto podem ver o Puppy, no Parque da Cidade, nos seus mergulhos ... adora mergulhar literalmente!)

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Brigas

"Ele briga a toda a hora! Ele anda a tentar matar os outros cães!"

O barulho, pêlos no ar e corpos emaranhados podem ser assustadores para alguém que assiste uma luta de cães, especialmente para os donos. De facto, nada deixa os donos mais assutados que uma luta entre cães. Consequentemente, os donos deverão ser objectivos na forma como interpretam a seriedade de uma luta. De outra forma poderão estragar a socialização do seu cão num único acontecimento. Na maioria dos casos, uma luta entre cães é altamente ritualizada, controlada e ralativamente segura para os animais envolvidos. Com um feedback apropriado do dono o prognóstico é razoavelmente bom. Por outro lado, feedbacks irracionais e emocionais, para além de serem stressantes para o dono, poderão exacerbar o problema do cão.
É extremamente comum para os cães, especialmente adolescentes, ficarem com olhar fixo, rosnar, arfar, mordiscar o ar e lutar. Não é um comportamento canino mau, reflecte apenas a fase de vida do cão e os seus comportamentos habituais. Rosnar e lutar quase sempre reflecte uma falta de confiança subjacente, caracteristica da adolescência. Dar tempo e continuar a socialização do cão, normalmente, aumenta a confiança do cão, deixando os mesmos de necessitar de dar provas da sua força fisica. Para ter a confiança necessária para continuar a socializar um cão que já iniciou lutas com outros, é necessária objectividade e motivação, de forma a perceber que não se tem em casa um cão perigoso, mas sim um cão que precisa de sair mais, socializar mais. Um cão pode ser muito irritante e aborrecido, mas isso não significa que irá ferir o outro cão, até porque causar ferimentos é anormal e inaceitável.
Em primeiro lugar é necessário perceber a severidade do problema. Em segundo precisa de se certificar que reage de forma adequada quando o cão luta com outro, e dá o feedback apropriado quando ele não luta.
Para saber se tem ou não um problema estabeleça uma relação luta-dentada. Para fazer isso precisa de responder a duas perguntas: Quantas vezes é que o seu cão esteve envolvido numa luta com outro cão? E em quantas lutas é que o outro cão teve de ser levado ao veterinário ou ficou com ferimentos graves?
Um 10/0 é muito comum em cães com um ou dois anos de idade, e isto é, dez lutas com zero idas ao veterinário do outro cão. Não temos um problema sério aqui. O cão não está a tentar matar o outro cão, uma vez que não causou nenhum ferimento em dez lutas. O cão teria causado ferimentos se o quisesse fazer. Não há maior prova de uma boa inibição da mordida do que no calor da luta um cão abanar o pescoço de outro e não ficar nenhuma marca.
Isto não é um cão perigoso. Ele é apenas irritante como qualquer adolescente...
Sim, o cão é um chato de primeira e só nos faz passar vergonhas, mas tem uma óptima inibição da mordida e nunca magoou outro cão. É bastante improvável que este cão venha a causar ferimentos em algum outro cão.
As lutas são péssimas, mas normalmente mostram-nos que afinal não foi assim tão mau e não são uma coisa do outro mundo. Desde que o outro cão não fique com ferimentos. O seu cão demonstra apenas falta de confiança em si próprio, falta de boas maneiras e socialização. Consequentemente a resolução do problema é simples. É desagradável para si e para as outras pessoas e cães , uma vez que passa o tempo a chatear toda a gente. Contacte um treinador técnicas por reforço positivo e resolva o seu problema.
Por outro lado se tem um cão que causa vários ferimentos nos outros cães nas pernas, na barriga em apenas uma luta, então tem um problema grave. Este é um cão perigoso, uma vez que não tem qualquer inibição da mordida. O cão deverá andar com ençaime na rua, o prognóstico é mau e o tratamento é complicado, moroso, potencialmente perigoso, a ser feito por alguém experiente e certamente com poucas garantias de um resultado positivo. É o problema onde melhor se pode afirmar que mais vale prevenir que remediar, uma vez que é completamente diferente educar correctamente desde sempre que andar a tentar resolver o problema estabelecido.
Um cão adulto com uma dentada perigosa é um cão dificil de reabilitar, mas prevenir na infância do cão é fácil, divertido, sem esforço... socialize-o e treine a inibição da mordida.
Não espere que o cão se envolva numa luta na adolescência para lhe ralhar, em vez disso, faça-lhe festas e diga palavras de incentivo habitualmente no dia-a-dia cada vez que ele se comporta de forma adequada, é a melhor forma de prevenir comportamentos desadequados e se tornar um problema sério.

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Castigo ... tem muito que se lhe diga!

Alguns treinadores não querem castigar de todo porque pensam que as punições são desagradáveis e desumanas e outros treinadores usam estimulos aversivos como castigo e com bastante frequência ineficazes. Assume-se que todos os castigos são aversivos e que todos os estimulos aversivos são castigos. No entanto nenhuma dessas suposições está correcta.
Assim que percebermos que "castigo" e "aversivo" não são necessariamente sinónimos, percebemos que temos quatro combinações possiveis.
1. Não-aversivo e não-castigo
2. Aversivo e não-castigo
3. Aversivo e castigo
4. Não-aversivo e castigo


1. Muito comum no treino de cães e em relações interpessoais. Não causa nenhum dano no cão mas não é eficaz na alteração de comportamentos.
2. Estabelece uma clivagem no cérebro do cão e destrói a relação dono/cão. Assume-se que todos os aversivos são castigos. No entanto muitos não são. Um castigo é definido como um estimulo que diminui a frequência do comportamento imediatamente precedente de forma a que seja menos provável que ocorra no futuro. O uso frequente de estimulos aversivos é uma prova de que não estão a resultar e por isso não podem ser definidos como um castigo. Em vez disso, quando um estimulo aversivo não é um castigo, dependendo da sua severidade, é um mau trato ou abuso. Sem dúvida, a maioria das reprimendas e a maioria dos estimulos aversivos, como esticões na trela, agarrar, ameaçar, palmadas, etc, não são castigos. Aversivos sim, mas não tendo o resultado esperado de reduzir o comportamento indesejado, não podendo ser definidos como castigo. As duas maiores pistas de que o estimulo aversivo não é castigo é a necessidade do aumento da sua frequência ou o seu uso continuo, que o treinador tenta compensar através do aumento da severidade do aversivo.
3. Quando um treinador usa eficazmente estimulos aversivos, apenas veremos o comportamento indesejado e o castigo aversivo algumas vezes e depois deixa de ser necessário. O castigo deixa de ser necessário porque o cão já não exibe o comportamento indesejado. No entanto, vemos isto muito raramente. Em vez disso vemos muito frequentemente palmadas, esticões, choques... eversivos que não são castigos.
4. Sem dúvida que castigos não aversivos são a melhor via. De facto, é possivel reduzir eficazmente os comportamentos indesejados apenas através do uso de um tom de voz agradável e calmo. Insistência gentil é o que se pretende.

Este post tem o intuito de lhe dar material suficiente para se questionar... agora que se questiona procure as respostas... bons treinos!