terça-feira, 4 de novembro de 2014

Agressividade na Manipulação

A seguinte mensagem ..."o meu cão, começou recentemente a rosnar, quando lhe vou dar festas na parte posterior. não entendo este comportamento, gostava de perceber e saber como atuar.
obg"


... em http://bomcaopanheiro.blogspot.pt/2010/08/agressividade-defensiva-por-medo.html

Como não sei o motivo o único conselho seguro que posso dar é faça uma ssociação positiva às festas na parte posterior... cada vez que dá festas dá uma goluseima...simultâneamente e posteriormente seguidos um do outro... conforme este video:


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Desafios ao Jeito Canino

Olá a todos,


Finalmente no meio do rebuliço que são as redes sociais e dos comportamentos sociais engraçados que estas geram, finalmente algo do interesse dos amantes de cães surgiu e logo com o desafio a dois treinadores de cães portugueses que eu sigo e admiro, fantástico, realmente alguma coisa se faz bem por estas bandas.






E a resposta já foi... parabéns.






...


Muito Bom!

segunda-feira, 18 de março de 2013

O essencial está à nossa frente...

Devido a problemas e frustrações no treino da Iris, passei alguns meses esmorecido. Se existe uma coisa em comum entre as pessoas que optam por não usar aversivos no treino dos cães é a coerência, ao ponto de se dizer a nós mesmos... "Educas cães de outros no dia em que conseguires ultrapassar os teus problemas e educares a tua cadela como tinhas prometido a ti próprio, até lá estuda e percebe o que andas a fazer mal!!!"
Na procura de mim próprio e da alegria de ter uma cadela espetacular comecei a ler algumas coisas da Susan Garrett, a pessoa indicada para me fazer ver onde estava errado. E de facto não demorou muito tempo. Ela diz o seguinte: "pare de gerir o comportamento do seu cão e inspire-o".
Tudo são "distrações", o mundo está cheio de coisas fantásticas, todas elas são mais interessantes que fazer as coisas que nós pedimos, então vamos ensinar os nossos cães a fazer escolhas, a escolher entre duas coisas. Se ele fizer a escolha certa recompensamos com algo que ele adora. Cabe-nos a nós criar um historial de escolhas certas, uma história de comportamentos adequados recompensados de forma extraordinária.
Eu andava a gerir o comportamento da Iris. Para ensina-la a fazer escolhas ela teria de ter oportunidade de falhar, teria de errar para saber que a consequência de o fazer existia (ausência de diversão), tal como quando escolhe a coisa certa (diversão sem limites).

Ao ler o e-book do "Five Minute Fórmula to a brilliant recall", mais conhecido por "Recallers", da Susan Garrett, percebemos aquilo que nos falta aprender, aquilo que nos falta entender. Ela estruturou simples brincadeiras de forma a criar um elo entre o dono e o cão mais forte que qualquer coisa.

Se me perguntassem hoje qual é a coisa mais difícil de conseguir no treino de cães, eu diria, sermos a coisa mais importante para o nosso cão, conseguir que ele esteja sempre que possível a tentar fazer aquilo que esperamos dele para obter coisas de que ele gosta. Quero dizer com isto, tirar a trela e coleira ao nosso cão e ele continuar focado em nós. Isto não é uma coisa que nós possamos exigir, que possamos obrigar a fazer, se iniciarmos esse caminho não só não atingimos o nosso objetivo como com o passar do tempo estamos cada vez mais longe dele.
Neste árduo trabalho de (re)inspirar a Iris as coisas nem sempre correm bem, acontecem erros pelo caminho, mas só assim é que vamos conseguir aprender. A Susan Garrett é daquelas pessoas no treino de cães que eu adoro, dedicou a sua vida aos cães, escolheu colocar o relacionamento com eles no topo da lista de prioridades, encontrou uma forma autodidata de os treinar para aquilo que queria, sem lhes usurpar a vida, esforça-se ao máximo para que as coisas corram bem cada vez que tem um novo cachorro, sem deitar para o "lixo" os seus cães mais velhos e consegue sucessivamente ter sucesso no treino para Agility. Está neste momento a criar uma nova forma de estar no treino de cães a nível mundial... Não tenho ídolos, mas esta senhora inspira-me a inspirar a Iris e por isso lhe estou imensamente grato.

NOTA: Os cães da Susan Garrett não são perfeitos, roem coisas, ladram à porta de casa, etc., não existem cães perfeitos, porque os cães são animais complexos, sencientes e na sua complexidade, tal como no ser humano, a perfeição não existe.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Feliz 2013... ou será que estamos em 1900?!

O ano começou. O ano que sucede ao que foi rico em descobertas acerca da senciência animal está aqui, no ano passado ficou provado, se algumas dúvidas existissem ainda, que os animais não são coisas, nem lá perto. Na realidade com o passar dos anos e com o amontoar de evidências científicas, começa a tornar-se impressionante ouvir e ver o ser humano sempre a dirigir-se aos animais no mesmo registo, como se estivéssemos em 1900 e não em 2013.

Começamos o ano com uma tragédia, a morte de uma criança de 18 meses, supostamente devido a uma dentada de um cão arraçado de uma raça potencialmente perigosa que não é raça em Portugal.

Esta semana foi prodiga em mostrar porque é que estamos na bancarrota e os políticos continuam e aumentar nas sondagens, a mentalidade de alguns portugueses fica muito aquém do esperado. Hoje ouvi uma figura supostamente culta da nossa sociedade o Sr. Daniel Oliveira, insurgir-se contra a petição para salvar o Zico, "animais e pessoas não são comparáveis" dizia, "os animais não são pessoas logo não podem ser alvo de justiça" e "o abate é uma medida de segurança básica". Fiquei baralhado, pensei que ele falava com pessoas do Bloco de Esquerda de vez em quando, que tinha um cartão lá para casa, será que nessas conversas eles não explicaram porque é que é necessário um novo Estatuto Jurídico do Animal? Será que não lhe explicaram porque é que as touradas devem deixar de ser financiadas? Se calhar só vai aos congressos, está muito ocupado a escrever.

A pena de morte é desumana, se uma pessoa mata outra em Portugal não é aplicada a pena de morte, porque ela tornaria a sociedade em assassinos tal qual a pessoa alvo da pena, então um cão que é um animal senciente, cujos comportamentos são complexos e resultado de uma imensidão de motivos vamos resumir a sua sentença à morte? Então o cão matou a criança porquê? É agressivo? Donde surgiu a agressividade? O que aconteceu?

A morte desta criança, tal como já tive oportunidade de dizer em reunião com o membro responsável do executivo autárquico da cidade, foi o resultado a passividade de todos nós. Toda a sociedade portuguesa é culpada. Todos temos sangue nas mãos, chegou a altura de em Beja todos os que interferem nesta realidade assumam as suas responsabilidades e mudem o seu comportamento, pela memória desta criança inocente. Chegou a hora de mudar, e parece que pelo menos em Beja isso vai acontecer, vamos ver que mudança acontece, quem está disponível para falar de soluções e trabalhar nisso, vamos ver quem é que se desmarca e arrasta o problema, vamos ver quantas tragédias são precisas. Sim porque morrem milhares de cães todos os dias, morreu esta criança, o que é que é preciso mais?

Ser dono de um cão em Beja ou em Portugal é ter um sentimento de impunidade presente, é saber que na realidade nada nos acontecerá se formos irresponsáveis. O cão morde, é abatido, e tudo bem "eu nem queria já o cão, tentei abatê-lo mas não me deixaram".

Feliz 2013! O ano da mudança!


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

"Para mim isso prova que sim, existem raças perigosas"... Será!?

"Talvez seria interesante ler isso. São dados de 30 anos. images.bimedia.net/documents/Dog+attack+stats+with+breed+2012.pdf
Para mim isso prova que sim, existem raças perigosas."
Comentário deixado aqui por Anna Jagna.

Anna Jagna,
Embora se trate de um autor (Merritt Clifton) bastante experiente, embora se tratem de dados quantitativamente significativos e embora se trate de uma entidade que procura uma relação saudável entre o homem e a natureza, a minha opinião não é concordante com a análise do autor, os dados apresentados não são exatos porque ignoram uma série de variáveis que influenciam os acontecimentos registados e não permitem uma generalização dos resultados nem permitem a análise que o autor faz dos mesmos, mas vamos analisar mais a fundo.

Análise

"The tallies of attacks, attacks on children, attacks on adults, fatalities, and maimings on the above data heet must be evaluated in three different contexts. The first pertains to breed-specific characteristic behavior, the second to bite frequency as opposed to the frequency of severe injuries, and the third to degree of relative risk.
Of the breeds most often involved in incidents of sufficient severity to be listed, pit bull terriers and their close mixes make up only about 3.3% of the total U.S. dog population, according to my frequent surveys of regionally balanced samples of classified ads of dogs for sale, but they constitute 29% of the dog population in U.S. animal shelters at any given time, according to my 2011 single-day shelter inventory survey, which followed up similar surveys producing similar results done in 2004, 2008, and 2010.”
Em primeiro lugar importa considerar que se trata de dados de cães de raça, de uma lista de raças de venda de cães, correspondem apenas a 29% da população de cães dos EUA. Ou seja nestes dados não estão contidas as mordidas de cães sem raça, nem a sua gravidade, que corresponde à maioria dos cães no país (71%).

ERRO: (Conforme me alertou a Anna, e com razão, não entendi. Mas mais uma vez, lendo agora corretamente, não me parece uma equação de 1+1=2 dizer que esta raça é a que mais morde com severidade e por isso é a que mais está presente nos abrigos de cães abandonados. Não é linear, mais uma vez temos de considerar quem são os donos, como os educam, quais as obrigações exigidas a esses mesmos donos e qual a pressão da sociedade nos donos desses cães. Tudo isso influencia a número de abandonos, não apenas problemas de agressividade, trabalhei como voluntário numa associação 8 anos  e tivemos nesse período menos de 15 Pitt Bulls, porque simplesmente não são uma raça muito frequente no alentejo.)

“Pit bulls are noteworthy on the chart above for attacking adults almost as frequently as children. This is a very rare pattern, also seen in the bull mastiff/Presa Canario line. Children are normally at greatest risk from dog bite because they play with dogs more often, have less experience in reading dog behavior, are more likely to engage in activity that alarms or stimulates a dog, and are less able to defend themselves when a dog becomes aggressive. Pit bulls and the bull mastiff/Presa Canario dog category (whose ancestry partially overlaps pit bull ancestry) seem to differ behaviorally from other dogs in having far less inhibition about attacking people who are larger than they are. They are also notorious for attacking seemingly without warning, a tendency exacerbated by the custom of docking pit bulls’ tails so that warning signals are not easily recognized. Thus the adult victim of a pit bull attack may have had little or no opportunity to read the warning signals that would avert an attack from any other dog.”
Aqui terei de concordar com o autor, a remoção das caudas e a amputação dos orelhas tem um papel muito importante na escalada de agressividade, uma vez que os sinais que a sua presença permite não são visíveis. Mas a importância disto não é tão relativa quando se possa pensar, estamos a falar de cães cujas orelhas e cauda foram amputadas logo muito cedo, que cresceram toda uma vida sem elas, sendo-lhes ignorados todos os sinais comunicacionais de calma, ou então mal interpretados, por outros cães e pessoas, ou seja, eles desistem de comunicar porque simplesmente não resulta, nunca resultou como deveria. É mais fácil para eles optar pela agressividade porque tudo o resto é ignorado. A questão de atacarem tanto adultos como crianças está certamente relacionado em parte com o descrito anteriormente e também com a forma como a educação destas raças é feita, como todos sabemos existe a crença que estas raças com “personalidades mais fortes” devem ter uma educação com mais “disciplina”, logo a agressividade defensiva é mais frequente, não é de estranhar que assim seja.
“Rottweilers by contrast show a fairly normal child/adult attack ratio. They seem to show up disproportionately often in the mauling, killing, and maiming statistics simply because they are both quite popular and very powerful, capable of doing a great deal of damage in cases where bites by other breeds might be relatively harmless.
Wolf hybrids, German shepherds, and huskies are at the extreme opposite end of the scale, almost never inflicting severe injury on adults––but it would be a huge mistake to assume that these seemingly similar patterns reflect similar behavior. They do not.
According to an analysis by the late Robert Lewis Plumb, done at the peak of wolf´hybrid popularity in the mid-1990s, at a time when German shepherds were also much more popular than today, German shepherds and German shepherd mixes in which the German shepherd line predominates together amounted to 16% of the entire U.S. and Canadian dog population, according to the data Plumb was able to assemble about breedspecific licensing, or just about nine million total dogs. There were by contrast only about 300,000 recognized wolf hybrids: about one for every 30 German shepherds.
Relative to their overall numbers, wolf hybrids were accordingly 60 times more likely to kill or maim a child than a German shepherd––and that was before even beginning to consider the critical behavioral distinctions. German shepherds are herding dogs, bred for generations to guide and protect sheep. In modern society, they are among the dogs of choice for families with small children, because of their extremely strong protective instinct. They have three distinctively different kinds of bite: the guiding nip, which is gentle and does not break the skin; the grab-and-drag, to pull a puppy or lamb or child away from danger, which is as gentle as emergency circumstances allow; and the reactive bite, usually in defense of territory, a child, or someone else the dog is inclined to guard. The reactive bite usually comes only after many warning barks, growls, and other exhibitions intended to avert a conflict. When it does come, it is typically accompanied by a frontal leap for the wrist or throat.
Because German shepherds often use the guiding nip and the grab-and-drag with children, who sometimes misread the dogs’ intentions and pull away in panic, they are involved in biting incidents at almost twice the rate that their numbers alone would predict: approximately 28% of all bite cases, according to a recent five-year compilation of Minneapolis animal control data. Yet none of the Minneapolis bites by German shepherds involved a serious injury: hurting someone is almost never the dogs’ intent.
In the German shepherd mauling, killing, and maiming cases I have recorded, there have almost always been circumstances of duress: the dog was deranged from being kept alone on a chain for prolonged periods without human contract, was starving, was otherwise severely abused, was protecting puppies, or was part of a pack including other dangerous dogs. None of the German shepherd attacks have involved predatory behavior on the part of an otherwise healthy dog.
Every one of the wolf hybrid attacks, however, seems to have been predatory. Only four of the fatality victims were older than age seven, and all three were of small stature. The first adult fatality was killed in the presence of her two young sons, whom she was apparently trying to protect. The second was killed while apparently trying to protect her dog. Most of the victims were killed very quickly. Some never knew the wolf hybrid was present. Some may never have known what hit them. Some were killed right in front of parents, who had no time to react.
Unlike German shepherds, wolf hybrids are usually kept well apart from children, and from any people other than their owners. Yet they have still found more opportunity to kill and maim than members of any other breeds except pit bull terriers and Rottweilers, each of whom may outnumber wolf hybrids by about 10 to 1.”
Tal como diz o autor, os cães, nomeadamente os Pastores Alemães, dão uma série de avisos acerca do seu desconforto, tentando evitar a agressão, mas nada disso resulta, pelo que os ataques acontecem. Quanto aos Híbridos, como bem refere, a questão de se considerar este cão um semi-lobo leva a que ele não esteja educado a contatar diariamente no seio familiar, ficando muitas vezes privado de interagir livremente com os vários membros da família, ao longo do seu crescimento, o que traz obviamente consequências, por falta de uma socialização e dessensibilização adequadas.
“Huskies appear to be a special case, in that even though they are common in the U.S., the life-threatening attacks involving them have virtually all occured in Alaska, the Northwest Territories, the Yukon, Labrador, and the northernmost parts of Quebec. In these regions, huskies are frequently kept in packs, in semi-natural conditions, and in some cases are even allowed to spend summers without regular human supervision. Thus many of the husky attack cases might be viewed more as attacks by feral animals, even though they technically qualified for this log because they were identified as owned and trained animals, who were supposed to know that they were not to attack.
Akitas, Malamutes, and Samoyeds have a similar attack pattern, but while these are also “northern breeds” commonly used to pull sleds, most of the attacks by Akitas, Malamutes, and Samoyeds have occurred in ordinary home situations. Cumulatively, the northern breeds appear to have an attack pattern resembling that of wolf hybrids more than that of most other dogs––which might merely point toward the numbers of wolf hybrids who are illegally kept under the pretense that they are various of the northern breeds.”

Nestas raças concretas mais uma vez a forma como são educados desempenha um papel fundamental na agressividade que os dados mostram. O próprio autor assume isso, são criados de uma forma pouco saudável enquanto animais domésticos, logo outro resultado não seria de esperar.
“What all this may mean relative to legislation is problematic. Historically, breedspecific legislation has proved very difficult to enforce because of the problems inherent in defining animals for whom there may be no breed standards, or conflicting standards.
Both pit bull terriers and wolf hybrids tend to elude easy legal definition; neither can they be recognized by genetic testing. The traditional approach to dangerous dog legislation is to allow “one free bite,” at which point the owner is warned. On second bite, the dog is killed. The traditional approach, however, patently does not apply in addressing the threats from pit bull terriers, Rottweilers, and wolf hybrids. In more than two-thirds of the cases I have logged, the life-threatening or fatal attack was apparently the first known dangerous behavior by the animal in question. Children and elderly people were almost always the victims.
Any law strong enough and directed enough to prevent the majority of lifethreatening dog attacks must discriminate heavily against pit bulls, Rottweilers, wolf hybrids, and perhaps Akitas and chows, who are not common breeds but do seem to be involved in disproportionate numbers of life-threatening attacks. Such discrimination will never be popular with the owners of these breeds, especially those who believe their dogs are neither dangerous nor likely to turn dangerous without strong provocation. Neither will breed discrimination ever be acceptable to those who hold out for an interpretation of animal rights philosophy which holds that all breeds are created equal.
One might hope that educating the public against the acquisition of dangerous dogs would help; but the very traits that make certain breeds dangerous also appeal to a certain class of dog owner. Thus publicizing their potentially hazardous nature has tended to increase these breeds’ popularity.
Meanwhile, because the humane community has demonstrated a profound unwillingness to recognize, accept, and respond to the need for some sort of strong breed-specific regulation to deal with pit bulls and Rottweilers, the insurance industry is doing the regulating instead, by means which include refusing to insure new shelters which accept and place pit bulls. That means a mandatory death sentence for most pit bulls, regardless of why they come to shelters. This is not a problem for older shelters, which have long established insurer relationships, but it is a hell of a problem for organizations without long histories of successful and mostly accident-free adoption, predating the present abundance of pit bulls and Rottweilers in the shelter dog population. Individual dog owners are also getting clobbered, either with liability premiums so high that no one can afford to keep pit bulls or Rottweilers, or by inability to find an insurer willing to cover anyone who has such a dog--or any other dog breed with a bad reputation, whether or not the reputation is deserved. (Compare attacks by pit bulls with attacks by Dobermans on the chart above.) This in turn means more pit bulls, Rottweilers, et al being surrendered to shelters, when their people cannot find rental accommodations or even buy a house because of their inability to obtain liability insurance.
The humane community does not try to encourage the adoption of pumas in the same manner that we encourage the adoption of felis catus, because even though a puma can also be box-trained and otherwise exhibits much the same indoor behavior, it is clearly understood that accidents with a puma are frequently fatal. For the same reason, it is sheer foolishness to encourage people to regard pit bull terriers and Rottweilers as just dogs like any other, no matter how much they may behave like other dogs under ordinary circumstances.
Temperament is not the issue, nor is it even relevant. What is relevant is actuarial risk. If almost any other dog has a bad moment, someone may get bitten, but will not be maimed for life or killed, and the actuarial risk is accordingly reasonable. If a pit bull terrier or a Rottweiler has a bad moment, often someone is maimed or killed--and that has now created off-the-chart actuarial risk, for which the dogs as well as their victims are paying the price. Pit bulls and Rottweilers are accordingly dogs who not only must be handled with special precautions, but also must be regulated with special requirements appropriate to the risk they may pose to the public and other animals, if they are to be kept at all.”
O autor deste “estudo” revela, principalmente, neste último parágrafo, que não tem conhecimentos de comportamento canino, e essa condição levou-o a acreditar que o mais importante na legislação contra dentadas de cães é fazer o que for preciso para que o homem possa não ser mordido.
Então a espectativa deste sujeito é que exista algures um mundo onde só sejam permitidos cães cuja natureza ou raça permitam que ainda que estejam a ser espancados com pau com pregos eles não demonstrarão qualquer sinal de agressividade, alguém o convenceu que cães que mordem depois de lhes serem ignorados todos os sinais de desconforto não são normais. Alguém o convenceu que a capacidade de matar uma pessoa é sinónimo que o cão o fará um dia porque é um animal selvagem e imprevisível como um puma. Por isso que se acabem as raças perigosas de cães, então que se acabem os leões, os pumas, os cavalos, os tigres, os hipopótamos, tudo o que possa colocar em risco a vida deste magnifico ser que é o homem, ainda que essa possibilidade seja remota, não interessa, ela existe e por isso tal possibilidade deve ser eliminada. Alguém convenceu o autor que este mundo ficará melhor sem Pitt Bulls e Rottweilers.
Este mundo seria um mundo escuro, triste, histérico, onde nenhum homem poderia ser feliz, porque essa felicidade seria de plástico e todos sentiriam no seu interior que era uma farsa.

Estes dados são uma farsa, porque de fato eles só contam uma pequena parte da história complexa por detrás das mordidas de cães. Os cães são complexos, é muito pouco provável que a raça seja o que influi mais significativamente o seu comportamento. Os seres humanos são complexos, é muito pouco provável que a culpa seja apenas do cão e da sua raça, embora o autor pareça querer esquecer que nós, seres humanos, nunca teremos a culpa disto, os cães não são coisas, estes dados trata os cães dessa forma.

Se fizessemos uma colheitas de dados similares acerca de problemas de criminalidade e sociais, se calhar concluiriamos que a criminalidade está associada a pessoas de determinadas raças, mas a realidade é que sabemos que por exemplo em Portugal a integração social das minorias e dos imigrantes não é feita de forma conveniente, as suas condições de vida são muitas vezes desfavoráveis pelo que se dedicam a uma vida criminosa, ela faz parte da sua forma de sobreviver, pensar que a raça é o fator primordial da criminalidade humana seria uma conclusão racista. Os cães também não precisam de colheitas de dados deste tipo, eles são seres complexos e têm de ser estudados como tal, ponderando todas as variáveis que concorrem para o seu comportamento.
Inicialmente ao lermos os dados parecem não restar dúvidas da perigosidade das raças em questão mas ao analisar com mais cuidado percebemos que existem muitas outras variáveis que são ignoradas, uma das variáveis mais importantes que me parece ignorada e que seria importante estudar é se os locais destes ataques coincidem com locais onde a criminalidade violenta é mais alta. Como diz o autor nem sempre, ou quase nunca, são as pessoas certas que procuram Pitt Bulls e Rottweilers pelos motivos certos e isso é o fator mais importante a considerar.

O ser humano domesticou o lobo, selecionou várias características para seu usufruto, e agora que essas características não são uteis e que optam por ter esses animais em suas casas parece que a escolha da sociedade é aniquilá-los, já não fazendo falta e gerando problemas nesta adaptação podem desaparecer, não me parece uma atitude adequada que quem se julga o responsável pelo planeta, é uma atitude desprezível.
A minha experiência enquanto educador canino e enquanto enfermeiro é a de que as mordidas de cães são mais frequentes nas raças que estão mais presentes nas regiões em questão, que na sua maioria as vítimas são os elementos da própria família, não são os estranhos. Também é mais frequente que elas aconteçam em cães que já tinham problemas de agressividade ignorados pelos donos ou que vivem isolados num espaço próprio da casa (presos em correntes ou num canil).
É hora de fazer um estudo em Portugal acerca disto, por isso estes dados serão o mote para que o proponha a quem de direito, oferecendo a minha qualidade de enfermeiro, para que possa ser aplicado nos serviços de saúde.
Vivam os vossos cães, obrigado Anna por esta partilha, não conhecia estes dados.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Limiar da reatividade, a linha invisível

Quem faz treino de cães, e tenta resolver problemas de comportamento passa os dias a medir limiares de tolerância dos cães. A observar a linguagem corporal do cão, os sinais comunicacionais que nos dá e em que ponto mudam. Existe um limiar em todos os cães onde o comportamento calmo é substituído por um comportamento reativo, medroso, agressivo, excitado, etc.
Existem duas pessoas que colocaram muito bem em livro a importância destes pontos invisíveis, a Leslie Mcdevitt no livro "Control Unleashed" e a Grisha Stewart em "BAT - Behavior Ajustment Training", dois livros extraordinários.
A melhor forma de explicar este conceito ao qual chamam em inglês "threshold", é da Leslie McDevitt, ela escreveu: "Imagine que teve um dia mau hoje. Os seus filhos tiveram uma briga logo de manhã, que geriu de forma rápida e habilidosa. Perderam os trabalhos de casa, mas você encontrou-os. Perderam o autocarro, por isso você levou-os até à escola por um trânsito infernal, com um sorriso na cara. Chegou tarde ao trabalho. No caminho de volta para casa teve uma batida de chapa com chapa. Mesmo sabendo que o acidente não foi sua culpa, manteve-se simpática e cordial com o idiota que lhe bateu. Quando ia para explicar ao Sr. Policia o que tinha ocorrido, ele observa que tem o selo de inspeção um dia fora de prazo... E você grita com ele!!!! Acabou de passar o seu limiar da paciência."
Este texto parece-me bastante claro, isto é o que em treino de cães consideramos o limiar. Os cães, através da sua linguagem corporal dizem-nos qual é o seu grau de reatividade perante um determinado estimulo, aquilo que o dono ou treinador deve fazer é manter o cão a uma distância desse estímulo que lhe permita ficar abaixo do limiar, mesmo ali antes de atingir esse limiar. Não é fácil acertar no ponto certo, mas se passarmos o limiar podemos aumentar a distância e tentar de novo.
Esta é a coisa mais elementar no treino de mudança de comportamentos reativos. No outro dia uma dona mandou-me um email acerca de um cão que tem um problema de agressividade bastante grave, segundo aquilo que foi descrito pela dona, mas ainda assim, mesmo que a dona me diga que ele assim que vê outro cão fica imediatamente agressivo, existe uma distância, uma barreira, etc. onde ele se mantem suficientemente calmo para que possa aprender.
E esta é a questão importante acerca desta barreira invisível. Os cães não aprendem quando o seu nível de medo, agressividade, excitação, etc., ultrapassa esse limiar, o cão fica num estado emotivo que não lhe permite aprender novos comportamentos, não é possível ensinar ao cão como se deve comportar quando ele se encontra nesse estado. Por isso temos de palpar o sítio onde esse limiar se encontra e ficar mesmo abaixo dele, e isso permite-nos trabalhar comportamentos alternativos em presença do estímulo que produz o comportamento desadequado, quando o cão oferece o comportamento alternativo com facilidade no ponto onde escolhemos, muito provavelmente o limiar do cão aumentou, ou seja, reduzimos a distância para o estímulo. Assim já podemos aproximarmo-nos mais, mais, mais até termos um cão que consegue manter o comportamento adequado a qualquer distância do estímulo indesejado por ele.
Vivam os vossos cães!

domingo, 7 de outubro de 2012

Dia Mundial do Animal

Mais uma vez comemorou-se o Dia Mundial do Animal. Já é costume neste blogue fazer referência ao dia, nem sempre com palavras positivas, às vezes, muitas vezes a verdade tem de vir ao de cima. A questão é essa, existem coisas que não podem ser contornadas, que têm de ser abordadas.

Este dia, ou as coisas que aconteceram em torno dele tiveram um sabor agridoce. Foi bom e mau ao mesmo tempo. Este tem sido um ano de desânimo, de desilusão para mim, por isso os poucos posts, mas tem sido um ano de revolta e de indignação, coisa ao qual o dia 4 de Outubro não escapou.

Porque é que os promotores de uma Corrida de Touros marcam a dita para o dia em que se comemora os direitos dos animais, coisa à qual as touradas estão isentas porque se consideram uma exceção, por ser uma tradição nacional? Porque é que estas pessoas, que se movem para não permitir a aprovação de um novo estatuto do animal marcam uma Tourada para o único dia do ano que comemora o contrário daquilo que se passa no interior de uma praça? Isto é incrível, mais ainda por se tratar do canal público de televisão. Mas o canal, que passou essa afronta, momentos antes no programa "Linha da Frente" retratou os cães, nomeadamente a questão dos cães de raça potencialmente perigosa. Esse retrato foi também um hino à ignorância que existe em torno desta questão, por momentos pensei que seria um bom programa, por ter a participação do Dr. Ian Dunbar, mas foi uma participação desperdiçada, completamente obliterada no meio da ignorância que esteve presente pelo programa.

Antes do Decreto de Lei das raças potencialmente perigosas ter saído já existia um documento da Associação Europeia de Veterinários a aconselhar para a não criação de leis baseadas na raça do cão, porque a perigosidade do cão está associada à sua educação específica e não à raça a que pertence. Este documento data de 2000, estamos em 2012 e continuamos a ver e ouvir coisas perfeitamente idiotas. Sou enfermeiro e nos dois anos que trabalhei numa urgência, e mesmo agora num Centro de Saúde, nunca tive ferimentos de uma dentada de um cão de raça potencialmente perigosa, tratei dezenas de dentadas de cães, muitas delas os cães são da própria pessoa mordida, as situações são várias, mas as raças são as que são mais comuns na região, porque realmente a raça não é o que leva a estes acontecimentos.

Felizmente agora já li um artigo da Cláudia Estanislau e já estou muito mais calmo.

Localmente fui convidado para participar num evento comemorativo que juntou todos os intervenientes ligados à cinofilia, pela primeira vez todos participaram num único evento, uma proeza conseguida pelo Hospital Veterinário do Baixo Alentejo, pelo Dr. André Cláudio, que está de fato de parabéns pelo feito. Juntaram-se uma quantidade de pessoas amantes de cães muito superior a qualquer outra altura, falei com pessoas, pude trocar ideias, foi uma tarde muito bem passada, com muitos cães, muita alegria e muito entusiasmo, coisa rara na nossa pequena cidade.

Este dia trouxe-me de volta, acabou por ser impossível participar, por falta condições, mas ainda assim adorei. Quem é apaixonado como eu por cães sabe como é poder estar rodeado por eles durante horas... carregam-nos as pilhas.

FELIZ DIA MUNDIAL DO ANIMAL!!!