sábado, 3 de dezembro de 2011

A m*da também acontece nas associações de cães abandonados

Costumo ler alguns blogues, aliás tenho aqui no meu blogue, na barra esquerda, os meus blogues preferidos e no Fearfuldogs'blog, um blogue da Debbie Jacobs, uma treinadora de cães com especial interesse em cães medrosos, que tem trabalhado durante anos em associações de cães abandonados tentando melhorar a vida dos cães aterrorizados que por lá chegam, com sucesso, a Debbie colocou agora dois posts que faço questão de traduzir, aliás pedi-lhe autorização para isso. Um deles é este.
Quero ainda acrescentar que sempre pensei que todas as associações de cães abandonados nos EUA eram melhores e diferentes das nossas, mas afinal também existem associações iguais às nossas, e essas associações criam um sentimento de irritação e revolta em todos aqueles que têm conhecimentos em comportamento canino.
"É verdade, a m*da acontece e quando é assim é bom que se saiba. É como aqueles restaurantes de fast-food com sinais na casa de banho a dizer - "Por favor diga-nos se esta casa de banho não satisfaz as suas expectativas em termos de higiene". Se a m*da acontece e você não sabe como é que a poderá limpar?
Na indústria do resgate de animais, poderá considerar falaciosa a utilização do termo "indústria" se quiser, existe muita m*da a acontecer que não fica nos registos e histórias criadas para gerar angariação de fundos para o grupo a efectuar o resgate.
Eu descubro m*da de pessoas que insistem que colocar um cão numa casa e tirá-lo do canil vale sempre a pena, independentemente se houve ou não uma avaliação adequada do cão e das necessidades/conhecimentos do futuro dono. Alguns dirão que as probabilidades são melhores para o cão, 100% hipóteses de morrer no canil contra uma percentagem incerta de sofrer na nova casa, ou seja lá onde for que acaba. Mas não estejam assim tão certos, em muitos casos morrem na mesma. Poderão sofrer emocionalmente e fisicamente ao serem passados de dono em dono, de casa em casa ou de canil em canil. Poderão ser forçados a viver uma vida de confinamento ou isolamento. Poderão ser "adoptados" por traficantes de cães que vendem cães para experimentação ou lutas. Se o cão for de raça e não esterilizado poderá ser usado para criação. Poderá acabar fazendo parte da colecção de uma pessoa que sofre de acumulação compulsiva. Num número surpreendentemente elevado fogem da sua nova casa e não são encontrados.
Quantas associações têm estatísticas acerca de quantos cães estão ainda no seu adoptante original, com donos satisfeitos, um ano a seguir à sua adopção? E se não as têm... porquê? Como é que podemos ficar felicíssimos e excitados por um cão ser adoptado se essas adopções podem ser mal sucedidas? Como pode um grupo melhorar a sua avaliação dos cães e dos potenciais donos sem ver os resultados das suas práticas e procedimentos habituais? Eu já conheço todas as desculpas para não realizar este tipo de monitorização, tempo e dinheiro estão no cimo da lista. Mas eu não consigo aceitá-las. Se nos queremos realmente declarar defensores de animais então o "olhos que não vêem, coração que não sente" ou "longe da vista, longe do coração" não pode continuar.
Se estamos verdadeiramente determinados em salvar os animais ao nosso cuidado, então encontraremos formas de nos certificarmos que estamos a fazer o melhor que podemos por eles. Mas nunca saberemos como fazer isso enquanto não estivermos disponíveis para olhar para o quadro completo e não apenas a viver o momento, como o momento da adopção."

2 comentários:

Emmanuelle Moraes disse...

Muito bom!
e chama a atenção para um setor que tbém precisa ser vistoriado quanto a qualidade do serviço que presta

Eliana Moser Adestradora de Porto Alegre disse...

É, o assunto é polêmico. A dificuldade em encontrar adotantes faz com que uma adoção seja comemorada. Sei de casos em que adotantes devolvem o adotado até 6 meses depois e as "desculpas" são as mais variadas. A esta altura o(a) protetor(a) já tem novos cães/gatos a serem adotados, aí o número de animais a espera de adoção supera as condições da "manutenção" dos que lá já estão.