quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Use as suas ferramentas...



AAH, é domingo de manhã e você decide ir dar um passeio com o seu companheiro canino até uma esplanada e ficar a molengar e a ver o mundo passar por si sem se ralar com nada. Senta-se na mesa da esplanada junto ao passeio da rua e o seu plano de domingo de manhã é arruinado porque o seu cão decide aterrorizar todos os amiguinhos de quatro patas que passam pelo passeio.
Você nesta situação começa por tentar chamar o seu cão à razão, dizendo-lhe para se acalmar, sorri para os donos dos outros cães e pessoas da esplanada na tentativa de esconder o seu embaraço, afinal não é nada demais, o seu cão não é perigoso. Depois à medida que a sua frustração aumenta, o tom de voz para com o seu cão também muda, a raiva começa a trepar por si acima. Depois de todos os discursos irritados falharem decide beber o resto do que pediu e levar o seu cão para casa, com o a desilusão de ter um cão que não consegue acalmar-se e comportar-se.

A coisa engraçada é que toda essa cena e todo esse monólogo poderia ter sido evitado se pura e simplesmente tivesse aplicado os conhecimentos de obediência básica do seu cão, ele sabe sentar e olhar?

Por qualquer motivo que desconheço quando estamos perante situações de embaraço temos tendência a esquecer as nossas competências, talvez esteja formatada na nossa cabeça uma aula formal de obediência, e não fazemos a transição para situações do dia-a-dia onde podemos aplicar essas mesmas ordens de obediência básica.

Este post serve para lembrar exactamente isso, um comando de obediência básica tem várias aplicações, não é apenas para demonstrar o nosso controlo sobre o cão, serve para o dia-a-dia.

Com isso em mente aqui fica a chave da criação de um cão bem educado que podemos levar connosco a qualquer sitio, afinal é esse o sonho que qualquer pessoa que goste verdadeiramente de ter um cão.

O primeiro passo é construir uma boa base através da obediência básica com: senta; deita; de pé; olha; junto e anda. Podem ser muitos mais, mas com estes já terá muito por onde trabalhar.

O segundo passo é... usá-los!!! Use o que treina como uma utensilio para a comunicação e como base para as boas maneiras. Cada vez que não gosta do que o seu cão está a fazer peça-lhe algo aceitável nessa altura... é tão simples quanto isso. Um bom exemplo é o saltar para cima das visitas... uma boa maneira de acabar com isso é pedir um senta para receber atenção do dono e das visitas... não precisamos de treinos xptos, precisamos de compartamentos aceitáveis que substituam os comportamentos inaceitáveis nas mesmas alturas do dia-a-dia.

O terceiro passo é fazer tudo isto em todas as sdituações de interacção com o seu cão nos mais diversos cenários do dia-a-dia, acabando por se tornarem uma rotina e um hábito.

Bons treinos!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Os donos e os seus cães...

Depois de uma ausência longa de posts, depois de vários acontecimentos marcantes na minha vida, finalmente resolvi colocar um post.

Os donos de cães são um "pouco" como os pais das crianças... a professora chama o pai à escola para explicar que o menino andou a apedrejar os colegas, os funcionários e os vidros da escola... e o pai escandalizado diz... "O meu filho?! Tem a certeza que era ele? Mas isso deve ter sido porque alguém o incentivou a fazer isso... ele não é dessas coisas, porta-se sempre tão bem! Aliás se existe aqui culpa de alguém é da escola porque não deveriam andar pedras à solta... depois os miúdos não têm noção...!"
Vamos por partes, porquê achar que a professora exagera? Porquê achar que o filho é apenas uma vitima das ideias dos outros miúdos da idade dele? Porquê achar que o mundo deve ser isento de "pedras, tipo bolha protectora?

Os donos de cães muitas vezes também vestem esta pele de responsáveis, como quem pensa, se ele tem problemas então se calhar a culpa é minha... mas fiz tudo certo, devo estar a exagerar, ele é normal... isto é só uma fase.
É curioso como um treinador se vê em situações difíceis com os donos de cães, tentamos fazer uma boa colheita de dados inicial para ter a certeza que o treino é adequado ao problema comportamental que temos pela frente, mas os donos invés de serem nossos aliados, por vezes são mais um obstáculo, não contam os factos, contam sua interpretação dos factos, que é algo completamente diferente.

Treinador (T): "Então o que tem o Bobi?"
Dono (D): "É muito mau para os outros cães!"
T: "Mas o que é que aconteceu?"
D: "O que aconteceu é que já não sei o que fazer, já tenho medo de sair de casa!"
T: "Mas ele mordeu noutro cão? Oque é que faz?"
D: "Quando vê outro cão transforma-se num animal furioso!"
T: "Furioso?"
D: "Sim começa a rosnar a ladrar a puxar à trela como se quisesse ir comer o outro cão!"
T: "Já mordeu em algum cão?"
D: "Não nunca mordeu, mas também não costumo deixá-lo chegar-se a outros cães... tenho medo percebe?! De certeza que vai correr mal!"
T: "Mas ele nunca teve com outros cães?"
D: "Já, com dois ou três cães de pessoas que conheço e correu tudo bem, até brincou!"
T: "Não mostrou nenhuma agressividade?"
D: "Não, quer dizer também parecia estar zangado na trela, mas assim que o soltei ficou tudo bem"


Neste caso o cão sofria apenas de reactividade à trela, fruto talvez de muitos passeios sem o dono o deixar ir conhecer os outros cães... e muito poucos momentos de diversão com outros cães à solta.
Na verdade o cão era um cão sem grandes problemas de comportamento, apenas tinha um problema que aumentava muito a ansiedade do dono e isso transformou-o num grande problema aos olhos do dono. Durante grande parte da conversa inicial não conseguíamos sair da interpretações...

Bons treinos!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Curso de Terapias Assistidas com Cães


Aqui está um curso que iria a correr e aos saltinhos se pudesse, mas sem olhar para o lado, vale a pena ir a este curso com toda a certeza se formos interessados em Terapias Assistidas com Animais. Mais uma vez a Educacão a fazer das suas.

Parabéns Fernando.

sábado, 25 de setembro de 2010

"Movidos a 4 patas!"

No próximo dia 27 de Setembro inicia-se um novo projecto, de cariz local, que espero ter um efeito positivo na sociedade local de Beja. A Associação Cantinho dos Animais de Beja, com o apoio da Rádio Pax irá iniciar uma Rúbrica intitulada "Movidos a 4 patas", que é o slogan desta nossa associação. O programa passará às segundas-feiras pelas 10h30m e terá repetição nesses mesmos dias pela tarde.
Com este programa pretendemos transmitir conselhos de como atingir uma relação equilibrada entre o dono e o seu cão nas várias fases da vida do mesmo, podendo desta forma ser evitado o abandono do animal. Será um prazer poder ter um espaço onde poderei transmitir os conhecimentos para todos os donos, fazendo-os perceber que as respostas para os problemas, que parecem tão graves, muitas vezes são tão simples, basta para isso amor pelo seu cão e vontade para mudar as coisas.

Por isso façamos figas para que o efeito e o sucesso deste programa seja o esperado.

Bons treinos!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A importância da consistência... outra vez!

Não existem segredos escondidos no treino de cães, no entanto está aos olhos de todos que existe uma coisa fundamental, a consistência.
Os cães são autenticas máquinas de padrões de correspondência. Claro que são animais complexos com emoções, com interesses, mas são muito bons a reconhecer e a interiorizar padrões de comportamento. E faz todo o sentido que assim seja, os animais que facilmente conseguem reconhecer onde existe um comportamento vantajoso ou onde existe um comportamento desvantajoso são recompensados com a sobrevivência, vivem mais anos, deixam maior número de descendentes com essa tendência natural, são seleccionados através da selecção natural, portanto é uma das bases dos comportamentos dos animais em geral.
Já viu com certeza o seu cão interiorizar comportamentos padrão. O som do seu carro quando está a chegar, o som da chave na fechadura, o agarrar na trela. Cada uma destas situações é para registar e depois atribuir-lhe uma associação, é assim que a aprendizagem funciona.
Então quando não existe um padrão óbvio é muito dificil aprender, uma vez que não existe como fazer uma associação. Quando o seu cão não consegue aprender, improvisa... e acredite que não é isso que deseja!
Um ambiente consistente, cheio de rotinas consistentes é aquilo que necessita de efectuar com o seu cão. Um ambiente previsível resulta em comportamentos previsíveis. O resultado de um ambiente imprevisível? Nada bom!!
Esta é uma boa parte do que ensino aos donos de cães. Simplesmente aumentar a previsibilidade ao dia-a-dia do cão tem um grande impacto no seu comportamento. As coisas mais especificas são mais simples e menos importantes por vezes.
É por isso que todas as pessoas que fazem treino de cães concordam, independentemente da metodologia de treino usada concordam que a consistência é a chave de um bom treino.

Ponha-se no lugar do seu cão... está rodeado que sinais consistentes do que deve ou não fazer?

Bons treinos!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

TREINO CANINO EM POSITIVO Sim!... Sou maluco a esse ponto!

Sinto necessidade de escrever este post devido às caras de espanto que me deparo cada vez que afirmo não utilizar nenhum aversivo... sim... sou maluco a esse ponto e pelos vistos resulta muito bem.

Escolho evitar a violência em todas as minhas interacções com animais. Não uso a privação de oxigénio como consequência de um comportamento indesejado, não agarro o cão pelo cachaço, não espanco o cão, não belisco as orelhas ou patas dos cães, não faço nada para tentar imitar o comportamento de outro cão. Tento evitar o uso de aversivos auditivos também como gritar ao cão. Pessoalmente considero essas coisas tristes, deploráveis e desrespeitosas. As minhas interacções humanas ensinaram-me que é necessário o respeito para obter o respeito, e ainda não encontrei nenhuma evidência que isso não possa ser verdade no que toca a canídeos.

Também escolho fazer figuras ridiculas com os meus cães, ou a treinar cães, no sentido de obter parceiros de trabalho e melhores amigos entusiásticos, voluntariosos e confiantes. Faço sons ridiculos, utilizo brinquedos com apito na rua, à medida que passeio o cão, mudo de direcção imprevisivelmente, como se de um maluquinho se tratasse. Não ando com a trela esticada, por isso poderão ver-me parado no passeio durante algum tempo, admirando o jardim do vizinho, ou a olhar os carros que passam até que o meu cão se decida a retirar a tensão da trela.
Em suma, pareço, aos olhos da população em geral, doido varrido, tal como aos olhos de alguns familiares e amigos.

Maluquice ou senso comum!?
Enquanto que muita gente realmente considera estes pontos de vista disparatados eu espero que outros compreendam onde quero chegar e o que quero transmitir. Como alguém que treina cães, estas coisas são apenas do senso comum para mim.
Aqui estão as razões principais:

Os cães aprendem por associação - através do condicionamento clássico, experiências aversivas na presença de um determinado estimulo ou num determinado ambiente podem criar uma resposta emocional negativa permanente ao estimulo em questão. Se alguém grita ao seu cão sempre que ele puxa à trela quando vê outro cão como é que o cão sabe que a gritaria não está associada ao outro cão mas sim ao puxar da trela? Se o cão considerar esta experiência aversiva poderá passar a não gostar da presença de outros cães e reagir de forma agressiva. E se for um comportamento agradável, um comportamento desejável, como ficar focado em mim e oferecer comportamentos de relaxação? E se o Bobby, que normalmente é timido com crianças ficar relaxado enquanto uma criança lhe faz umas festas? Os comportamentos correctos têm demasiada importância para nos arriscarmos a envenenar um comando ou desenvolver uma reactividade ou um problema de ansiedade quando poderia perfeitamente ser evitado através da gestão correcta destas situações.

Os cães são sensiveis às emoções humanas - Esta é de facto uma das razões porque gostamos tanto deles. Eles parecem naturalmente perceber o nosso estado de espirito, parecem conseguir ser empáticos, principalmente devido aos milhares de anos de evolução conjunta entre as duas espécies. Os cães conseguem sentir quando os donos estão stressados, contentes, frustrados, ansiosos, etc, através da nossa linguagem corporal. Por isso se queremos um amigo voluntarioso não será com gritaria e violência que chegaremos lá... ele topa-nos à légua!


Por estas razões e por tantas outras que só quem vê num cão um amigo é que sabe eu escolho ser maluco... bons treinos!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mais um dia bem passado...

Lá fui passar mais um dia a aprender mais qualquer coisa acerca de comportamento canino e claro o treino de cães... conheci o senhor Óscar Gil Martorell e digo-vos que é alguém a manter sob vigilância neste mundo do treino, tem uma postura muito prática, muito objectiva e muito clara.
Foi mais um dia de Summerdogcamp, com o tema de "Treino de cães ao domícilio".
O senhor é responsável pelo Educadorcanino (http://www.educadorcanino.com/).
Presidente da Asociación Española de Educadores Caninos en Positivo (AEEC) (http://www.aeecp.es/).

Foi um momento para reforçar a determinação, a motivação, o desejo, o gosto e tudo e mais alguma coisa. Estava a precisar desta recarga de ideias, de conceitos e processos. Aprendi coisas novas, confirmei processos que já utilizo e mais uma vez sai com a sensação que tenho muito a aprender acerca do treino canino, mas ao mesmo tempo que estou no caminho certo.

Esperemos que um dia as pessoas que têm a motivação necessária para criar algo em português à luz do que existe em Espanha consigam esquecer as divergências, dialogar e concretizar as suas ideias, para o bem de todos.

Bons treinos!