sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A nossa falta como donos...

Provavelmente a nossa maior falha como seres humanos é que tomamos como garantido o bom e reclamamos constantemente do mau. Isto é um facto no treino de cães. Ignoramos os cães quando eles estão sossegados, e reclamamos com eles quando andam de um lado para o outro e ladram. Ignoramos atitudes amistosas para depois ralhar quando rosnam ou são desagradáveis. Nós normalmente ignoramos os cães quando eles andam calmamente à trela, para depois ficarmos frustrados quando eles puxam.
No entanto, se observarmos os comportamentos dos nossos cães com imparcialidade, verificamos que a maioria dos cães se comporta muito bem durante a maior parte do tempo e apenas muito esporadicamente têm comportamentos inapropriados ou inaceitáveis. Deixamos o bom passar sem dar importância e focamo-nos e damos importância apenas ao mau.
Uma das maneiras mais fáceis de mudar a atitude de um cão, e os seus comportamentos, é recompensar o cão pelos bons comportamentos regularmente no dia a dia. Tenha como objectivo apanhar o cão no acto de fazer uma coisa boa ou certa e mostrar a nossa aprovação e agrado.
Tenha como objectivo dizer palavras de apreço ou de agrado cada vez que nota que o seu cão se está a entreter com as coisas certas, no lugar correcto. Faça festas ao seu cão quando ele anda correctamente à trela e cada vez que ele se senta quando pára em frente a alguém. E nunca deixe de mostrar o seu agrado cada vez que ele cumprimenta pacificamente estranhos. Nunca tome como garantida a boa atitude do seu cão a cumprimentar estranhos.
Seja positivo na vida, e com o seu cão também, e vai notar a diferença...
Bons treinos!

sábado, 8 de agosto de 2009

Confinamentos ... aprender a estar só!

Educar com sucesso um cachorro envolve ensinar-lhe a estar sozinho através do seu confinamento. Isto previne maus comportamentos e estabelece bons hábitos desde o principio. Quando está fisica e mentalmente ausente, prenda o seu cachorro para prevenir comportamentos desajustados e aprender a estar só.
Quanto mais confinar o seu cachorro ao seu pátio de interior ou divisão, durante as primeiras semanas em casa, mais liberdade desfrutará enquanto cão adulto para o resto da sua vida. Quanto mais depressa aderir ao programa de confinamento mais cedo o seu cão estará com boas maneiras e preparado para estar sozinho. E com um beneficio extra, o seu cachorro aprenderá a estar sossegado, calmo, calado e feliz.

Quando não está em casa:
Mantenha o seu cachorro preso num pátio de interior, cozinha ou casa de banho. Esta passará a ser a área de confinamento de longos periodos, que deverá incluir:
1. Uma cama confortável;
2. Uma taça de água fresca;
3. Brinquedos de encher cheios de comida;
4. Uma casa de banho (quadrado de relva por exemplo) no canto mais afastado da sua cama.
Obviamente o seu cachorro sentirá necessidade de ladrar, roer e eliminar durante o dia, por isso deverá ser deixado num sitio onde poderá satisfazer as suas necessidades sem causar nenhum estrago ou aborrecimento. O seu cachorro provavelmente eliminará o mais afastado possivel da sua cama... na sua casa de banho. Ao remover todos os artigos que possam ser roidos da área, à excepção dos brinquedos de encher de comida cheios, fará do roer um hábito saudável e direccionado para o objecto apropriado.

O objectivo do confinamento de longos periodos é:
1. Confinar o cachorro numa área onde o roer e as necessidades são aceitáveis, para que o cachorro não cometa erros pela casa;
2. Maximizar a probabilidade do cachorro usar a casa de banho apropriada;
3. Maximizar a probabilidade do cachorro roer apenas os brinquedos apropriados;
4. Maximizar a probabilidade do cachorro aprender a estar só de forma calma, sossegada e feliz.

Quando está em casa:
Faça sessões de brincadeira e treino curtas a cada hora. Se não consegue tomar completa atenção ao seu cachorro, brinque com ele dentro da área de confinamento de longos periodos, onde ele poderá fazer as necessidades de forma adequada e existem brinquedos. Por periodos não superiores a uma hora de cada vez, prenda o seu cachorro numa transportadora (área de confinamento de curtos periodos). A cada hora, liberte o seu cachorro e rapidamente leve-o até ao sitio que quer que faça as necessidades. A área de confinamento de curtos periodos deverá incluir uma cama confortável e brinquedos de encher de comida cheios.
É muito mais fácil observar o cachorro se ele estiver sossegado num sitio. Poderá levar a transportadora para a divisão onde estiver de forma a estar ao pé de si. Se não gostar da ideia de prender o seu cachorro dentro da transportadora, poderá por-lhe uma trela e atá-la à sua cintura.

O objectivo do confinamento de curtos periodos é:
1. Confinar o cachorros a uma área onde o roer é aceitável para que ele não faça dos móveis os brinquedos de roer;
2. Fazer do cachorro um brinquedo-dependente (uma vez que os brinquedos é a única coisa disponivel para roer)
3. Ensinar ao cachorro a estar calmo por periodos;
4. Prevenir necessidades pela casa;
5. Prever quando é que o cachorro irá precisar de fazer as necessidades.

Os cães evitam naturalmente fazer as necessidades na sua cama, por isso um confinamento na mesma inibirá a dejecção e micção. Isto saignifica que o cachorro precisará de se aliviar quando for solto de hora a hora. Nessa altura você estará lá para lhe mostrar o lugar indicado, recompensá-lo por acertar e de seguida gozar de uma sessão curta de brincadeira e treino com um cachorro feliz... e vazio!
Para ver os materiais falados veja "Kit cachorro"!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O "segredo" do treino de cães!

Qual é o segredo do treino de cães? À medida que pesquisamos pela internet estamos sempre a achar mais um segredo ... e outro ... e outro... técnicas secretas, soluções mágicas, até livros que reduzem a educação do seu cão para 15 dias... hehehe ... claro!! Em quinze dias ficamos com o cão 100% educado para o resto de uma vida feliz ... entretanto batemos com a cabeça na mesinha de cabeceira e acordamos.
O problema é este ... não existem segredos!!
Não existe nada de especial acerca de como os cães aprendem ou acerca do seu comportamento. Os cães têm as suas caracteristicas especificas, bem como os seus comportamentos especificos como espécie que são, mas na sua essência aprendem da mesma forma que todas as outras criaturas no planeta aprendem. Como os animais aprendem tem sido exaustivamente estudado e mesmo havendo ainda muita coisa por saber, não existem "segredos". Muito menos disponiveis na internet por 29,99 euros.
Alguns afirmam que têm um conhecimento intrínseco que lhes permite saber como o cão está a pensar, falando muitas vezes de "psicologia canina". O que é facto é que não sabemos exactamente como os cães pensam. Sabemos como aprendem, conseguimos observar como
se comportam e já sabemos bastante bem o que os motiva, mas não sabemos o que pensam nem se o fazem através de palavras e ideias como nós. Aplicar então a palavra psicologia a cães não faz grande sentido.
Outros ainda têm um dom especial ainda pior, uma nova maneira de comunicar com os cães. Ensinam os seus clientes a cuspir na comida, imitar latidos ou até empurrar o seu cão para o chão, tudo de forma a "comunicar". Os cães viveram lado-a-lado com o homem nos últimos 10,000 anos. Eles caçaram, pastorearam, protegeram e fizeram companhia aos humanos e à medida que se fazem mais pesquisas, sobre o cão, mais se aprende que o cão se adaptou a viver com humanos de formas bastantes interessantes. O cão está bastante adaptado a ler as expressões faciais das pessoas e conseguem interpretar melhor a linguagem corporal que os primatas (uma habilidade mais presente numas raças que outras). Com os humanos a seleccionarem gradualmente os cães pela sua habilidade em trabalhar connosco, faz todo o sentido que a comunicação entre as duas espécies se tenha tornado mais eficaz. Por que raio é que agora precisariamos uma nova linguagem para comunicar com eles?
Então significa que todos os treinadores deveriam usar as mesmas técnicas? Claro que não. Mas todos deveriam ter uma base cientifica sólida de comportamentalismo, existe espaço suficiente para enovação e especialização. O treino de cães consiste grandemente na facilitação da comunicação entre as pessoas e os cães. Considerando apenas a variedade de pessoas que existe e a forma como comunicam, fica desde logo aqui um amplo espaço para técnicas variadas e situações variadas, onde um treinador pode ser superior a um outro.
Isto significa que o treino de cães é fácil, ou que treinar uma espécie é igual a treinar outra qualquer? Nem por isso. Os cães têm bastantes caracteristicas intraespecificas e é ai que os conhecimentos do treinador e a sua experiência entram em jogo. Contudo, este conhecimento especializado é cientifico, não é mágico, nem uma colecção de segredos passados de treinador em treinador numa cerimónia especial... hehehe
Há medida que o tempo passa e são feitos cada vez mais estudos acerca de cães, vamos aprendendo novas coisas, mas a informação não estará escondida detrás de 10 páginas de um artigo de internet ... como este... hehehe...nem num livro mandado vir por 29,99. Fará parte das competências dos treinadores que se mantêm em contacto com os avanços cientificos ... não se treinam cães hoje como se treinavam há 20 anos atrás... quer dizer não se deveriam treinar...
Em suma: Atenção aqueles que vos tentam vender segredos ou soluções fáceis. Existem bastantes técnicas com resultados dados, assim como informação fiável acerca de cães e treino de cães disponível de graça.

sábado, 25 de julho de 2009

"Obediência 100 segredos"

Hoje passei mais um dia dedicado ao treino de cães, para variar... hihihi. No caso dedicado ao treino em obedience, uma modalidade que gosto particularmente e que espero participar num tempo próximo. Foi um dia muito agradável, no qual se aprenderam bastantes técnicas e pormenores que podem melhorar ou optimizar bastante o treino e inclusive resolver entraves que possam surgir no caminho.

Foi um ambiente que se destacou por ser de grande partilha, companheirismo e simpatia, passado na Academia do Cão em Oeiras. Podemos receber estes conselhos por parte de dois membros, desde há uns anos, da selecção portuguesa de obedience (já fazem parte das bagagens pro mundial... hehe), o Fernando Silva e a Eduarda Pires.

Para além disso foi possivel falar acerca de outros assuntos relativos ao treino de cães que no futuro espero darem grandes frutos para todos os que se dedicam a esta actividade em Portugal.



Aqui fica uma foto do dia:

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Agressividade à trela!

A frustração à trela ou a agressividade à trela é uma reacção frequente e muito desagradável para pessoas e outros cães. Esta reacção advém da frustração de não poder investigar livremente o outro cão ou pessoa. Não quer necessariamente dizer que quer lutar ou morder, mas ele realmente associa essa frustração às pessoas e cães, então o comportamento agressivo fica direccionado para eles. Com a frustração intensa desencadeia-se a falta de auto controlo que poderá levar a uma mordida, mesmo que o cão não seja normalmente agressivo.
Isto pode ser uma indicação de que o cão não sabe exactamente como se deve comportar. A confusão leva à frustração e manifesta-se na atitude agressiva: lançando-se sobre o outro cão ou pessoa; ladrando; rosnando e mordendo. A chave para parar a resposta agressiva é ensinar ao cão o que quer que ele faça quando aparece outro cão ou se aproxima uma pessoa. Associa-se positivamente a presença de outros cães e pessoas com algo, estando sentado num local seguro (longe o suficiente para não haver reacção) com cães que sejam bem comportados a passar por ele. Cada vez que existe um cão à vista dê-lhe recompensas, no inicio continuamente e livremente, depois apenas quando apresenta comportamento calmo durante periodos de tempo cada vez mais espaçados. O passo seguinte, se for possivel, é colocar cães bem comportados parados e aproximar-se com o seu cão até a uma distância segura (assim que notar uma reacção não se aproxime mais), dando sempre recompensas, a cada dois ou três passos. Se ele olhar para um dos cães, tudo bem, marque esse comportamento e recompense o olhar sem reacção agressiva, mesmo a uma distância segura. Periodicamente pare e peça um senta durante uns momentos.
De seguida arranje um cão bem comportado que ande em paralelo consigo e o seu. Dê recompensas frequentes para boa posição de "junto" (ao seu lado e atento a si). A distância é a necessária para que se mantenha calmo. Vá a cada passo aproximando-se do outro cão. Este processo poderá levar semanas, por isso não tenha pressas., estamos a promover um treino que leve ao sucesso.
Claro, se não conseguir arranjar cães bem comportados, terá de o fazer em locais seguros onde sabe que verá cães mas que consegue controlar a distância dos mesmos. Nos passeios pare e peça sentas com frequencia mesmo quando não existem cães presentes, para que seja mais fácil que se sente na situação acima referida. Evite reacções puxando a trela, ou mudando bruscamente de direcção quando vê uma pessoa ou cão, mantenha-se no seu caminho. Mantenha-se calmo, a sua ansiedade pode provocar reacções por parte do cão.
Lembre-se o sucesso é medido por bons comportamentos e calma, não é medido pela distância que consegue chegar do outro cão ou pessoa ... quando está a treinar, ainda não se formaram novos comportamentos, por isso faça um treino que leve ao sucesso.

Depois de feito o treino logo mede a distância que consegue chegar de outro cão ou pessoa.

Bons treinos!

sábado, 11 de julho de 2009

Treinador à conversa com cão ...

Este texto é uma tradução de um texto escrito pelo Dr Ian Dunbar.

Ian Dunbar: Porque é que os cães se portam mal?

Rex (Pastor Alemão): Quem disse que nos portamos mal. Nós consideramos que o nosso comportamento é bastante exemplar.

ID: Ok. Nós, pessoas, achamos que os cães se portam mal. Vamos ser mais objectivos então e perguntar porque é que os cães: perseguem; escavam; roem; rosnam; mordem e ladram?

R: Grandemente porque somos cães, suponho. Certamente ficaria surpreendido se voassemos, fizessemos as palavras cruzadas, guardassemos os ossos no frigorifico, mugissemos, miassemos e contratassemos um advogado para processar os nossos inimigos.

ID: Ok, ok! Tudo bem, todas as actividades dos cães são perfeitamente normais e necessárias para o natural repertório canino. Então não são tanto os comportamentos que são anormais em si mesmos mas antes inapropriados em ambiente doméstico.

R: Bem, sim e não. Julgo que depende da sua perspectiva. Nós, cães, não consideramos necessariamente o nosso comportamento inapropriado. Pelo contrário, um Yorkshire amigo meu considera tapetes de arraiolos o mais avançado que existe em casa de banho, o sitio perfeito para urinar em toda a casa. Não se fica com as patas molhadas quando se urina em tapetes. Um velho Jack Russel admite abertamente que terra acabada de fertilizar e revolver oferece as melhores condições para escavações, considerando a delicadeza das suas patas devido aos muitos anos devida doméstica.

ID: Então corrige-me se estiver errado. O que estás a dizer é que o comportamento dos cães é perfeitamente normal e natural...

R: E necessário!

ID: ...e necessário no estado selvagem...

R: E no ambiente doméstico!

ID: ...e no ambiente doméstico.

R: Então a solução está no dono, que tem de providenciar e indicar as formas possiveis, em mutuo acordo, para as necessárias actividades caninas, caso contrário...

ID: "Caso contrário"?

R: ...caso contrário nós somos forçados a improvisar na nossa busca por uma terapia ocupacional para passar o dia.

ID: E erram na escolha. Certo?

R: Certo! E depois somos castigados por quebrar regras que nós nem sabiamos que existiam.

ID: Isso não é justo.

R: Bem, não nos deixa nada contentes. (Como raça de guarda os Pastores Alemães por vezes poderão ladrar muito e morder)

ID: Hmmmm! Já tentaram explicar aos vossos donos que não sabem que estão a fazer mal?

R: Claro, sempre que eles chegam a casa.

ID: E o que é que acontece?

R: Eles castigam-nos quando corremos para os receber à porta de casa.

ID: Se calhar eles não gostam da vossa maluquice, de colocarem as patas em cima deles, de lambidelas ou de saltarem. Porque é que não se sentam...

R: Isso é uma boa ideia! Nunca tinha pensado nisso... Mas eles adoram a nossa atenção e euforia quando somos cachorros, nós apenas crescemos.

ID: O que quis dizer foi, porque é que não se sentam e conversam isso com eles?

R: Ah, eles nunca ouvem. Sempre que nos sentamos eles apenas dizem "junto, senta, junto, senta..." e depois de andar à volta em quadrados voltamos onde começamos. Parece tudo sem sentido.

ID: Já tentaram fazer o que o vosso dono manda?

R: Já. Mas é pior quando somos obedientes. Quando falhamos depois qualquer coisa, assumem que estamos a ser mal comportados de propósito e castigam-nos ainda com mais severidade.

ID: Nunca ficam zangados?

R: Se ficamos zangados, eles matam-nos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Os críticos do treino com comida...

Quase todos os animais treinados que aparecem em filmes ou em televisão foram treinados com recompensas de comida. Baleias assassinas são treinadas com peixe. Ursos são treinados com marshmallows e bebidas gasosas. Golfinhos e focas com peixe. Leões com carne, etc. Obviamente, que os treindadores que lidam com estes animais enormes e potencialmente perigosos não querem que eles associem o treino ou o treinador a coisas negativas ... por amor à sua vida ou aos seus membros anatómicos. Então porquê descriminar os nossos companheiros caninos? Não é tempo de dar uma oportunidade aos nossos melhores amigos de quatro patas igual ao resto dos animais?
Qualquer criticismo em relação ao uso de comida como um utensílio de treino pode ser aplicado ao uso de qualquer outro utensílio de treino como coleiras estranguladoras, electrónicas, bolas, festas, etc.
Excessivo reforço verbal ou correcção poderá excitar demasiado o cão. O cão poderá não responder quando anda solto. O seu cão dificilmente respeitará alguém que regularmente recorre ao uso da força fisica ou ao uso de punições dolorosas. E se o cão não gostar de comida, poderão perguntar ... bem, e se o cão não gostar de correcções na trela?
O que interessa aqui perceber é que, seja qual for o utensilio usado estamos a condicionar o comportamento através desse artificio, por isso se usamos meios negativos porque não usar positivos?
O uso de qualquer ferramenta de treino tem as suas vantagens e desvantagens. Por isso não vamos esquecer as vantagens só porque nos estão constantemente a lembrar as desvantagens.
A comida é o melhor utensilio de treino para a maioria dos cães e donos. Quando nos tornamos adeptos do uso da comida, ficamos aptos para usar brinquedos de roer, de apitos, churros, etc. Claro que se o relacionamento com o seu cão é próximo e saudável as festas e recompensas verbais serão suficientes como utensilio de treino.

As frases mais frequentes dos criticos das recompensas de comida:

"Usar comida para treinar? Isso é um treino para fracos"
Talvez, mas funciona! E diria até que, se ter uma varinha mágica e andar de cor de rosa ajudasse no treino de cães e salvar as suas vidas em determinadas situações ou evitar abandonos, eu faria isso também. Em adição às suas aplicações óbvias em todos os aspectos de ensinar boas maneiras, as recompensas de comida podem ser usadas com a maior importância em modificações de comportamentos, sejam eles agressivos ou outros. De facto, as recompensas de comida são tão eficazes que o seu uso deveria, na minha opinião, ser prioritário.
Seria uma pena se a educação do seu cachorro ficasse aquém das espectativas apenas porque existe concepções erradas acerca do uso de comida como ferramenta de treino.

"O meu cão vai ficar gordo"
Se o alimentar com comida em demasia ele ficará gordo. No entanto, as recompensas de comida propicias para treino não deverão ter calorias extra. Se as recompensas fazem parte da ração normal do seu cão então retire essa quantidade da quantidade total diária da alimentação.
Ou seja, todas as manhãs pese a quantidade diária de ração e retire a quantidade que quer para o treino. Para além disso pese o cão com regularidade para se certificar que não ganha peso, se o fizer reduza na ração diária.

"O meu cão será viciado em comida para sempre, sempre a pedir comida quando tenho alguma coisa na mão"
Não será assim necessariamente! Poderá inclusive usar as recompensas de comida para ensinar o seu cão a não pedir comida. Mais ainda, a única coisa verdadeiramente eficaz para ensinar a não comer o que apanha é a comida.

"O meu cão só responde às ordens quando tenho comida"
Muito provavelmente porque não percebeu inteiramente as regras do reforço com comida. É necessário aprender como substituir a comida por outros tipos de reforços do dia-a-dia como festas e recompensas verbais.

"Não quero subornar o meu cão"
Subornar um cão não é treiná-lo nem leva a lado nenhum, no entanto usar a comida como ferramenta de treino não é um suborno, é um meio motivacional, coisa que realmente resulta, muito bem até.
As recompensas ensinam o cão a querer fazer o que nós queremos que ele faça, como motivador ensina o cão a estar atento e motivado para agradar.

"Eu quero que o meu cão me respeite, não apenas por interesse"
Esta questão esconde uma lógica por vezes assutadora ... de que o cão irá respeitá-lo mais se usar no treino a correcção e a punição, em vez de recompensas de comida. Duh!! Atenção com aqueles que insistem que o assédio, o bulling e o uso da força fisica são necessárias para que o cão mostre respeito. Pelo contrário, ganhará gradualmente o respeito e a confiança do seu cão com conhecimento, compreensão e inteligência, através do treino por recompensas, nomeadamente de comida. Todos queremos que os cães nos respeitem e se orgulhem de nos ter como companheiros humanos, principalmente que respeitem as crianças, caso elas existam. O treino com recompensas de comida é a maneira mais rápida e eficaz para as crianças ganharem o respeito dos seus cães e isso demonstra a verdadeira eficácia desta ferramenta.

"Quero que o meu cão o faça porque estou a mandar"
Eu quero que os cães cumpram as minhas ordens, ponto final! Respostas rápidas e voluntariosas são pedras fundamentais num treino eficaz de cães. Concerteza que será possivel coagir ou forçar o cão a fazer as coisas como queremos, especialmente se o cão estiver à trela ou fisicamente restringido, no entanto quando estiver solto, fora do nosso raio de acção, ele irá ignorar as nossas ordens, deixando o treinador a treinar-se a si próprio. (dai a elevada procura da coleiras electrónicas, desmonstrando a ineficácia do treino pela coação)

"O meu cão não gosta de comida"
Basta escolher o tipo de comida apropriado e ensinar o seu cão a gostar de comida. Os cachorros facilmente aprendem a gostar de recompensas de comida. Para os cães adultos poderá resultar dar um pedaço de recompensa de comida antes de qualquer actividade que ele goste como: passear, subir para o sofá, apanhar a bola, etc.